quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Investigação Discovery – Janeiro

Temos vários documentários desse viciante canal concluídos nesse mês.

Maldita Sorte (Your Number’s Up)

maldita sorte

Apenas três episódios em temporada única. Uma pena.

Essa série mostra casos de pessoas que ganharam na loteria e ficaram milionárias, mas o destino não foi tão bom com elas, que acabaram tendo finais trágicos.

O primeiro episódio é o melhor, que mostra a vida de um segurança, que ganhou a grana e acabou largando a mulher, casando com outra mais nova, se envolvendo em um monte de putarias que culminaram em seu assassinato.

O caso da estrangeira que ganhou na loteria também foi muito bom. Foi o exemplo claro de que o ser humano nunca está satisfeito. Depois de ficar rica, como tanto sonhava, a mulher não conseguia fazer o dinheiro satisfazer suas inseguranças.

Fora do Sério (Truth Is Stranger Than Florida)

fora do sério

Achar guia de episódios e nomes originais para informações das séries da Discovery ID é um trabalho complicado, porque o site deles no Brasil é uma vergonha de tão mal feito. Chega a ser um desrespeito.

O bom trabalho está evidente na tradução dessa série, que em nada combina com o original.

Fora do Sério tratou de crimes chocantes ocorridos no estado da Florida, nos EUA. O local é conhecido pelas cidades e ilhas paradisíacas, famosos pelo lazer e tranquilidade, mas o ser humano sempre dá um jeito de cometer atos selvagens.

São 06 episódios e todos eles envolvem homicídios.

Destaco o episódio do spa e o da ilha, em que a inteligente mulher resolve se envolver com o presidiário bonitão que tinha colocado fogo na mulher anterior. Será que daria certo?

O primeiro episódio foi também muito bom e mostrou que para o homem vitimado não bastava ser um gênio nos negócios, bom marido e bom pai, a mulher tinha que arrumar um amante e mata-lo mesmo assim.

Luxo, Riqueza e Crime (Guilty Rich)

luxo riqueza e crime

São 05 episódios nessa temporada que explora a vida de pessoas que se destacaram na sociedade pelo dinheiro, fama e poder.

Mas isso não impede que haja violência e a série conta crimes ocorridos nesse círculo social, que atrai muita cobiça e inveja.

Destaco o episódio do advogado que construiu um império de dinheiro com base em um esquema fraudulento, que só manteve graças à sua lábia.

Por fim, o último episódio é especial, porque conta a história de John DuPont, o milionário quatrocentão que não consegue fazer o dinheiro comprar sua autoestima, acabando por assassinar um protegido seu. Esse é o caso do filme Foxcatcher, que levou indicações ao Oscar há alguns anos, muito bem interpretado pelo Steve Carell.

tamron hall sexual

Tamron Hall Investiga: Assédio Sexual na Universidade (Sexual Assault In College: Tamron Hall Investigates)

Tamron Hall é uma apresentadora de outros programas da Discovery ID e ela tem alguns especiais, igual ao Tony Harris.

Nesse específico, que eu achei um dos melhores até agora, é contada a história de várias universitárias que foram estupradas nos campi das universidades e como está sendo encarado esse problema, que por muitos anos foi negligenciado.

Gostei muito desse especial, porque conseguiu mostrar mulheres corajosas que foram capazes de contar suas histórias e como foi fácil caírem em armadilhas. Além disso, foi bem exposto o comportamento de criminosos e de seus amigos, além das instâncias de poder, no que acontece após a denúncia. A vítima vai tendo sua dignidade ofendida por uma série de vezes.

Há outros especiais dela e pretendo ver quando passarem.

amigo do diabo - frenemies

Amigo do Diabo (Frenemies)

A temporada que o ID exibiu e eu assisti estava informando que era a primeira, mas consultando o site original, era a segunda, exibida em 2014. A primeira foi de 2013 e, se passar, eu assisto.

Foram 12 episódios curtos, entre 20 e 30 minutos. Todas as histórias tratam de relações de amizades que acabam em traição e tragédia.

A tônica da série é sempre o relacionamento com algo escondido, seja inveja, atração sexual, ressentimento, sensação de vingança, enfim, sentimentos que culminam nas traições.

Eu destaco o episódio das amigas que trabalhavam em um cassino e, quando uma delas arranjou um namorado bonitão, a desconfiança sobre a outra ter um caso com ele levou a uma tragédia. A mulher ter ciúmes da melhor amiga é algo muito comum.

Também tem o caso da rapper que surtou quando foi a menos notada na noite, o da amiga invejosa da grávida, o do amigo rico que passou a roubar a explorou o pobre, enfim, são boas histórias.

Ressalto que, mesmo assim, essas dramatizações do ID são muito mal feitas. Eles precisam caprichar mais. Em Amigo do Diabo não chegou a incomodar. Mas ainda menciono no final desse post algumas séries que eu deixei de ver por conta das dramatizações forçadas.

frios e calculistas - murder by numbers

Frios e Calculistas (Murder By Numbers)

Olha lá a excelente tradução novamente.

A série é de 2017 e essa temporada tem 06 bons episódios.

Há dramatizações, mas poucas. Há bons testemunhos de familiares e sobreviventes, além de policiais e jornalistas.

Os casos são bem fortes e envolvem crimes que começam sendo investigados de forma simples, mas vão aparecendo outras vítimas, revelando assassinos seriais.

Destaco o caso do assassinato dos idosos e também o do terrível caso do serial killer e estuprador de velhinhas.

poligamicos e assassinos - the wives did it

Poligâmigos e Assassinos (The Wives Did It)

Nomes bizarros tanto no original quanto na tradução.

São três episódios, exibidos em 2015.

A série retrata casos de crimes de assassinato envolvendo relações familiares com homens e mais de uma parceira.

No primeiro deles, um mórmon de várias esposas acaba assassinado e a teia de relações envolvendo a comunidade em que é normal a poligamia é bem interessante.

No segundo, um homem psicopata e extremamente violento tem duas esposas em casa, mas na verdade elas são suas prisioneiras em uma vida de intensa violência física e psicólogica, que culminou em mortes e um rastro de muito sofrimento.

No terceiro, o melhor deles, na minha opinião, um casal resolve chamar uma mulher para passar uma noite com o fim de apimentar a relação. Acontece que essa noite se torna um relacionamento a três, com todos morando em uma casa, gerando ciúmes, ganância, conspiração e, claro, um homicídio.

Boa a série, mas pelo caráter extremamente específico, entendo não haver tantos episódios.

chandra levy

Quem Matou Chandra Levy? (Chandra Levy: An American Murder Mistery)

É um documentário dividido em três partes retratando uma investigação jornalística sobre a morte da estagiária de Washington Chandra Levy.

Esse é mais um daqueles casos americanos em que o mistério de um crime somente aumenta por conta do frenesi da imprensa.

Além disso, Chandra estava envolvida sexualmente com um deputado, o que traz muitas comparações do caso com a série House of Cards.

São bons episódios sobre um crime muito estranho e, todos sabemos, que quando não se descobre direito quem matou, provavelmente tem gente poderosa envolvida. Pobre sempre se ferra nessas histórias.

...

Destaco agora algumas séries que eu reservei e tentei ver, mas simplesmente não rolou, ou porque são muito forçadas ou dramatizadas. Se for pra ver um seriado eu tenho opções muito melhores.

Também me incomoda quando escrevem que para a dramatização alguns detalhes foram alterados. Quais? Fica complicado, né? Prefiro documentários reais. As dramatizações só ajudam quando servem para ilustrar as situações, não para forçar histórias sensacionalistas.

Morrendo de Amor (Forbidden: Dying for Love): São duas temporadas e é daquelas com pessoas fazendo olhares misteriosos e os casos envolvem crimes passionais. Não terminei o primeiro episódio.

Sob Efeito do Amor (Love Kills): São casos que envolvem relações amorosas em que resultam em crime. O começo do primeiro episódio exibido me incomodou pelo excesso de dramatização. Ficou evidente que era uma encheção de linguiça pela falta de fatos retratáveis. Não deu vontade de continuar.

Mãelévolas (Momsters: When Moms Go Bad): o título dessa série parece uma piada. E ela também é. Tem uma apresentadora fazendo umas piadinhas péssimas com casos de mães que acabam cometendo crimes. O primeiro episódio era dividido em dois casos e o primeiro deles foi tão comum e sem graça, todo dramatizado, que não senti a menor vontade de continuar vendo. Foi a pior de todas.

Silêncio Mortal (Dead Silent): Eu assisti ao primeiro episódio, que mostrava um casal fazendo trilhas que era perseguido por um cara esquisito. A tentativa de transformar esses casos em filmes de suspense faz com que fique tudo ridículo, porque obviamente não é esse o talento do canal Discovery ID. Como as séries seguem fórmulas, não vi sentido em continuar vendo Silêncio Mortal. A primeira temporada tem 06 episódios e já passou a segunda no canal original.

...

Observando a quantidade de séries de crimes reais que eu vi nesse mês de janeiro, sem contar as que eu acabei fazendo post específico, estou bem empolgado nessa fase de true crime. Há várias estreias no ID e eu já coloquei tudo pra gravar. Gosto de ver em maratonas.

Depois volto com novidades.

FDL

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Mindhunter – John Douglas e Mark Olshaker

A série da Netflix estreou junto com o lançamento do livro no Brasil. Claro que eu acompanharia o combo. Estamos falando de série do David Fincher e livro sobre serial killers.

mindhunter-livro“Antes que ele conseguisse protestar, comecei a relatar como esse tipo de personalidade associal e solitária se juntou a um grupo de igreja, e como, depois de uma reunião, quando todas as outras pessoas já tinham ido embora, insinuou-se para a jovem que comandava o encontro. Ela o dispensou, e Vanda não lidou muito bem com a rejeição. Pessoas como ele não costumam lidar. Ele a derrubou, foi até a cozinha, voltou com uma faca e a esfaqueou diversas vezes. Então, enquanto ela estava largada no chão, morrendo, ele inseriu o pênis em uma ferida aberta no seu abdômen e ejaculou.

Preciso dizer que considero isso impressionante. Àquela altura, ela era como uma boneca de pano. Seu corpo está morno, ela está sangrando, e ele certamente também está coberto de sangue. Nem consegue despersonificá-la. Mesmo assim é capaz de ter uma ereção e chegar ao orgasmo. Por isso, é compreensível que eu insista que isso é um crime de ódio e não sexual. O que está passando pela mente dele não é sexo, é ódio. É por isso, aliás, que não adianta nada castrar estupradores reincidentes, por mais satisfatória que essa ideia possa parecer para alguns de nós. O problema é que isso não os deterá, nem fisicamente nem emocionalmente. O estupro sem dúvida é um crime de ódio. E, se você corta as bolas de alguém, terá apenas um homem com muita raiva.”

John Douglas e Mark Olshaker

Esse é o tom desse livro mega pesado.

Na história o agente da FBI narra sua carreira, como logo no início se dedicou a estudar serial killers, buscando ferramentas para melhorar a investigação e julgamento desse tipo de crime tão fora da curva sobre o que se conhece sobre o ser humano.

Conforme o livro passa, ele mostra como procurou desenvolver-se tanto teoricamente como empiricamente para criar a prática chamada de profiler, na qual, analisando cenas de crime e vitimologia, observa-se um perfil do criminoso por estatística. Esse perfil pode ser etário, de gênero, de condição financeira, atividade laboral, raça e até mesmo deficiências físicas.

O livro mostra que o autor entrevistou diversos assassinos seriais na carreira para desenvolver seu estudo. Todos dos mais famosos.

No final, há relatos bem fortes e informações bem pesadas. Mas, apesar de detalhes administrativos do FBI completamente desinteressantes e relatos da vida pessoal do autor que em nada servem, o livro é bem inteligente ao narrar os fatos e mantém nosso interesse do começo ao fim.

Recomendo.

Vamos à série de David Fincher.

mindhunter-sérieA primeira temporada tem 10 episódios e já há renovação confirmada por parte da Netflix. Isso é muito bom.

Há muitas diferenças entre livro e série e percebe-se que o autor pegou apenas a ideia principal para desenvolver algo televisivo. Isso é justo, porque a linguagem do livro é seca e fática. Uma série de televisão precisa do apelo dramático.

Isso certamente foi feito em Mindhunter. As entrevistas feitas com o serial killer Ed Kemper são excelentes pela atuação e drama atingidos.

Um pequeno pedaço do que é relatado no livro é citado, de modo que seguindo esse formato, a série tem tudo para ser bem longeva.

O elenco está bem e finalmente fizeram o favor de investir em uma trilha sonora. O povo anda esquecendo de colocar boas músicas nas séries e filmes. A cena final de um dos episódios arrepia com Psycho Killer.

Recomendo livro e série.

FDL

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

The Marvelous Mrs. Maisel

maiselSabendo das indicações e prêmios que a série teve no Globo de Ouro, resolvi finalmente transformar minha conta da Amazon Prime Video em algo que não significasse dinheiro no lixo.

A série é diferente e tem características que eu gosto e que não gosto, vamos lá.

Os atores estão muito bem, principalmente a protagonista, que no primeiro episódio me parecia irritantemente familiar e eu não sabia de onde. Santos tempos modernos que oferecem o IMDB e eu lembrei que é a atriz que interpretou a Rachel Posner em House of Cards.

A mãe dela é a Judith de Two and a Half Men e, enfim, o elenco tem muita qualidade.

Agora, em nível hard, reparamos que também conhecemos aquela amiga dela do bar, Susie, de algum lugar, né? Só quem gosta mesmo de Friends lembra dela. A frase é: Why Don’t You Like Me? (O IMDB a chama de “bitter woman on stage”. Genial!)

maisel 2

Enfim... Midge Maisel é uma esposa perfeita nos anos 50 em New York. Levanta antes do marido para se arrumar, cozinha, cuida dos filhos e vive sua vida em função da dele e de seus caprichos, entre eles, o esposão quer ser comediante de stand up, mas rouba piadas.

Ocorre que do nada ele resolve largar Midge, por um simples chilique. Isso é uma tragédia na vida dela, que ainda é julgada pelas suas tradicionais famílias judias da época.

Mas em um momento de ódio, Midge bebe todas e sobe ao palco e solta o verbo sobre sua revolta com a vida. Ela é tão verborrágica que acaba sendo presa e ainda mostra as peitolas. Mas acaba sendo um sucesso no local e uma rabugenta funcionária do local, Susie, cansada de comediantes sem talento, vê nela potencial, a oferecendo ser sua empresária para lançar uma carreira como comediante.

Os 08 episódios dessa primeira temporada mostram como Midge lida com sua nova vida de mulher divorciada. Todo o seu potencial e genialidade, que era depositado na vida de seu marido, agora é disponível para que ela mesma brilhe e seja capaz de ter seus méritos.

Além disso, a carreira dela começa e há percalços, nem sempre as coisas dão certo.

A série tem um ritmo bem lento. Para cada coisinha acontecer, Midge acerta, erra, acerta e tem uma lição. Há uma certa enrolação que me fez cansar um pouco da série logo no começo.

Mesmo assim, há momentos muito bons, sobretudo quando Midge sobe ao palco, porque você vê de onde vem o sucesso da série. Ela incorpora muito dos discursos feministas, mas sem utilizar a linguagem pasteurizada de hoje em dia e sem qualificar demais. Fica com a naturalidade de uma mulher revoltada com o papel que lhe é dado e imposto.

A série é boa e já está renovada para a próxima temporada.

Espero que eu tenha ânimo de ver.

FDL

sábado, 27 de janeiro de 2018

Quem Matou JonBenét?

jonbenet

Original: JonBenét: An American Murder Mistery

O ID passou esses dias o documentário em 03 partes investigando esse bizarro crime ocorrido nos EUA nos anos 90.

Eu já tinha visto algo desse crime em um episódio do People Magazine: Além da Notícia, do mesmo canal. Ainda não terminei essa série, então não escrevi sobre ela.

Em 1996, uma mulher chamara Patsy Ramsey ligou para a emergência afirmando que havia encontrado um bilhete de resgate e que sua filha de 06 anos, JonBenét estava desaparecida. Era o dia seguinte ao Natal.

A Polícia foi ao local e começou uma tumultuada investigação, cheia de falhas, com vários amigos do casal, pais de JonBenét, interferindo e contaminando evidências.

Na busca de provas pela casa, o pai da menina encontrou seu corpo já sem vida, com sinais de violência, em um ambiente do local.

A menina era bonita, loira e participava de vários concursos de miss, conduzida pela mãe, que já participou de concursos na juventude.

O caso é um mistério, pois no início as suspeitas recaíram sobre os pais, por conta de incongruências no comportamento deles após o crime e por conta de situações atípicas e condutas estranhas no decorrer da investigação.

Eles não chegaram a ser presos e anos depois Patsy faleceu de câncer.

Ocorre que a mídia nunca perdeu o interesse no caso e vários suspeitos foram surgindo ao longo das décadas e nunca houve respostas afirmativas. Desconfiou-se de um amigo da família que se vestia de Papai Noel, de um homem problemático que vivia na região, de um pedófilo bizarro que afirma saber coisas do crime, enfim, muito se especula, mas não houve respostas.

Durante um dos episódios levantou-se a hipótese de que o irmão mais velho da menina a teria matado e os pais criaram a história do sequestro para de alguma forma tentar despistar a polícia e salvar o menino. Não me pareceu tão absurda essa possibilidade.

Até me lembrou o caso de uma minissérie britânica a que eu assisti há alguns anos, The Guilty.

O fato é que jamais vamos saber o que houve com a menina e essa história parece ser daquelas que por conta do mistério, com o passar dos anos sempre vai surgindo uma pessoa oportunista querendo aparecer com supostas respostas a respeito do que ocorreu. Infelizmente essas pessoas obtêm seus segundos de fama porque o ser humano não consegue admitir que infelizmente não tem respostas para todas as perguntas ainda.

Esse caso é perturbador, porque quando pensamos na pessoa ter a capacidade de fazer isso com uma menina de apenas 06 anos e que está livre podendo repetir o fato novamente, perdemos mais ainda a fé na humanidade.

São três bons episódios, com entrevistas, fotos, vídeos, bem informativos e levanta boas problemáticas. Gostei bastante.

Descobri que houve um filme feito para a tv sobre o caso, no canal Lifetime. As críticas são péssimas e é a mesma emissora que fez um sobre a Casey Anthony. Logo, não, obrigado.

FDL

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O Caso do Policial Canibal

canibal policial

Original: Thought Crimes: The Case Of The Cannibal Cop

Mais um documentário original HBO sobre true crime.

É retratada a história do policial Gilberto Valles, de New York.

Valles foi condenado em 2012, após serem encontradas em seu nome diversas postagens em fóruns da internet planejando sequestrar e comer a carne de várias vítimas. Além disso, foram encontradas pesquisas de Valles nos computadores da polícia, que indicavam os nomes das pessoas que ele planejava ferir.

Houve prisão, mas não sem uma grande controvérsia: Valles nunca chegou a atacar ninguém, nem deu início a qualquer execução de crime. Sua defesa era de que tudo aquilo não passava de fantasia que ele escrevia nos fóruns e que jamais planejou colocar em prática qualquer coisa escrita.

Os defensores de Valles afirmam que ele foi condenado pelo simples fato de pensar, algo que não é crime. Nos EUA há o crime de conspiração para homicídio, no qual é possível punirem-se os atos preparatórios para o crime de homicídio.

Tal qual no Brasil, atos preparatórios não são puníveis, a não ser que haja algum tipo criminal especificando essa conduta.

Ocorre que nem um pequeno ato preparatório a defesa entende ter sido realizado. A pesquisa dos nomes no computador de Valles teria sido meses antes e não tinha relação porque ele, de fato não chegou a fazer nada. Não foi apreendida arma, ou outro instrumento, ele não foi flagrado fazendo nada que pudesse indicar um crime em iminente ocorrência.

Já os acusadores entenderam que Valles ao compartilhar esses desejos assassinos e canibais e relatando planos com grandes detalhes, conspirou para ocorrer um crime e não tivesse sido sua prisão, certamente uma tragédia ocorreria, afinal ele tem os traços de um psicopata.

Apesar da condenação, Valles recorreu do crime e acabou obtendo o direito de liberdade, primeiramente com tornozeleira eletrônica, e depois ficou livre por completo.

Assistindo ao documentário, que é de 2015, vi que a história ainda não tinha acabado, pois a promotoria havia recorrido também, buscando sua condenação.

Eu pesquisei rapidamente e, pelo que eu vi, o recurso acusatório não foi acolhido e aparentemente o caso acabou com a absolvição de Valles.

Há dois pontos interessantes sobre esse caso que eu fui pensando conforme via: o primeiro deles é que muitas pessoas acreditam que as redes sociais sejam um universo paralelo e nele podem assumir outras personas e escreverem o que querem, do mesmo modo que podem fantasiar em suas mentes. Não podem. Mesmo que não sejam presas, são moralmente julgadas e isso tem consequências, porque o mundo real e o da internet estão completamente fundidos já.

A segunda observação tem a ver com o julgamento moral. Ao final do documentário, Valles lamenta não ter mais o contato de sua ex-mulher e filha (a primeira que encontrou as postagens). Mas, acima disso, ele ficou conhecido como o policial canibal e, apesar de feliz com a liberdade, em ser um “cidadão comum”, como ele poderia agora encontrar uma parceira? Que mulher iria querer se envolver com ele?

Enfim, sei lá eu se ele realmente planejava matar e comer alguém, muito menos sei se essa prisão o impediu de destruir uma vida (não que em caso positivo ela se justificasse), só sei que palavras têm poder, ainda mais em tempos que não há mais borracha possível para apagar o que é escrito e publicado.

Seja lá como for, ainda acho temerária essa postura de julgamento moral e de manipulação de sensações dos jurados que os julgamentos norte-americanos têm. Não se busca verdade ou justiça, é cada vez mais um jogo de quem tem mais habilidades e recursos para cumprir sua agenda. O lado mais fraco, lógico, dança nessa história.

É um bom documentário, com testemunhos e imagens reais. Um dos meus favoritos até agora.

FDL

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O Julgamento de Pamela Smart

pamela smart

Original: Captivated: The Trials of Pamela Smart

Não bastassem meus documentários no ID, eu vejo tb nos últimos meses os que a HBO passa ou deixa disponíveis no HBO-GO.

Muito me interessam as histórias de julgamentos dos EUA, porque cada vez mais vejo os brasileiros se inspirando na forma de agir da justiça criminal norte-americana, mesmo que nós tenhamos sistemas jurídicos bem distintos.

Observo isso até quando vejo um julgamento em uma novela ou seriado brasileiros. Os autores não se dão ao trabalho de pesquisar como funciona a lei criminal no Brasil e imitam seriados americanos. Pura ilusão.

Mas mesmo assim, as histórias que a justiça norte-americana apresentam costumam ser muito boas, porque eles têm o hábito de espetacularizar julgamentos e em muitos deles a linha que divide jornalismo e entretenimento fica completamente invisível.

O caso da Pamela Smart talvez tenha sido o mais fraco até hoje que eu vi na HBO, mas, como sempre acontece, as histórias são trazidas para levantar problemas nas condenações criminais no sistema deles.

Com Pamela, levanta-se questão a respeito dos acordos de delação e das condenações com base em provas circunstanciais, aquelas que não apontam cientificamente diretamente para um fato.

Além disso, nesse caso, Pamela Smart foi condenada moralmente por uma sociedade machista.

Não sei se ela é inocente ou não, mas certamente a sociedade não é.

Pamela Smart foi condenada pelo homicídio de seu marido, nos anos 90, acusada de ser mandante no caso em que três jovens estudantes da escola em que ela trabalhava o assassinaram em casa. Descobriu-se que ela tinha um relacionamento com um dos adolescentes e ele teria matado o homem a pedido dela.

Esse caso foi o primeiro julgamento a ser exibido ao vivo pela tv americana. Os anos 90 marcam essa fase de julgamentos-show.

O tempo inteiro é usada contra ela a imagem de mulher sedutora e fria, que usou seus “feitiços” para “manipular” as pessoas a fazerem o que ela quer. Complicado falar com certeza sobre alguém manipular o outro.

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Além disso, o que é de mais interessante nesse caso é que houve um livro sobre o crime e julgamento e também dois filmes. Ocorre que um dos filmes tem apenas inspiração no caso (a protagonista é feita pela Nicole Kidman). O bizarro é que os envolvidos, até mesmo testemunhas, misturam fatos reais que foram testemunhados e registrados no processo com o que foi exibido no filme. A própria autora diz que não teve compromisso fático.

A grande crítica que o documentário faz é que a principal prova contra Pamela foi o testemunho dos jovens que cometeram o crime, que, por meio de um acordo com a promotoria para obter penas menores, informaram que ela fora a mandante.

Isso tudo produziu o bizarro resultado em que os jovens que puxaram o gatilho já estão em liberdade e Pamela recebeu uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de condicional.

Como já disse antes, não é possível saber se Pamela cometeu o crime ou não. Também é difícil fazer um julgamento moral sobre a sua personalidade, porque em um documentário assim é impossível conhecer alguém. Ainda que pudéssemos determinar qualquer coisa sobre seu comportamento, ele deveria ser irrelevante, afinal, julgamos atos e não pessoas.

Mas quando vemos testemunhos nessa história, pouco se fala de provas e condutas, porque elas não existem. Agora, a pessoa é julgada o tempo inteiro. Parece que é difícil superar os estereótipos de femme fatale e manipuladora de homens que se faz de algumas mulheres.

Pamela ainda luta para de alguma forma ter liberdade ou provar sua inocência, mas até hoje, pesquisei informações mais atuais, sua batalha não obteve êxito.

Mesmo não sendo meu preferido, recomendo.

FDL

sábado, 20 de janeiro de 2018

The End of The F**king World

the end f serieAlá a Netflix nos brindando com mais uma pérola!

Essa série, ou mini-série, nunca se sabe, surgiu nas indicações e pareceu uma boa, principalmente porque faz tempo que eu não vejo produções britânicas.

A mini tem 8 episódios e mostra um casal de adolescentes: James e Alyssa.

Eles são jovens que parecem normais, mas não são e do encontro deles vai sucedendo uma série de acontecimentos bizarros que deixam essa série uma das minhas preferidas do ano, já no comecinho.

James perdeu a mãe e percebeu que é um psicopata (tanto que enfiou a mão em uma fritadeira para tentar sentir alguma coisa). Ele carrega uma faca e tem desejos homicidas o tempo todo.

Alyssa está de saco cheio de sua casa, por ser excluída pela mãe, que tem novos filhos e novo marido, que, obviamente, a assedia. Ela é desbocada e agressiva, tendo o sonho de reencontrar o pai, que mora longe, mas não esquece de enviar cartas todo ano no seu aniversário.

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James e Alyssa se encontram e planejam fugir juntos, sem pensar nas consequências. Claro que o plano de Alyssa é se sentir apoiada para ir embora e encontrar com o pai. Mais obvio ainda é que James finge interesse amoroso por ela simplesmente para poder mata-la.

Ambos fogem e nos 8 episódios fazem de tudo: homicídio, assalto, ligação direta, disfarce, encontram pedófilos (sim, 2!) e, no fim encontram o pai de Alyssa.

Não vou spoilar, mas o final da série mostra a evolução de jovens que começam a ficar adultos (James está fazendo 18 anos na série, inclusive). A primeira lição é que adolescentes vivem de expectativas e sonhos, mas adultos enfrentam a realidade e as frustrações.

Essa lição acaba servindo para os dois, que finalmente passam a saber quem são e quem os cercam.

O final é aberto e facilmente teria uma temporada adicional, mas tudo isso é dúvida, porque esse trabalho é inspirado em uma HQ e a história foi totalmente retratada na produção da Netflix.

Vale cada segundo.

Acabou por aí? Claro que não!

A série ainda mata com uma puta trilha sonora, que chega a ser mais um personagem nessa história maluca e interessante. Várias músicas iam agradando, até que eu tive de salvar a playlist no Spotify.

A principal é a seguinte:

Há várias outras. Mas fica essa como uma gota do que é o todo.

Claro que eu teria de ir atrás da HQ, não?

TEOTFW_HardcoverO autor chama-se Charles Forsman.

É realmente inspirado, porque há cenas completamente idênticas, o e é bem interessante. Mas também há alterações, sobretudo para fazer a série ter 8 episódios, porque a HQ, mesmo que em um compilado, é bem curta.

Os desenhos são feios e sem expressão. Não são os meus preferidos não. Mas do que eu entendo, não é mesmo?

A história é a mesma da série, então é excelente. Para quem não tem dificuldades de ler em inglês, pelo Google você acha um cbr com facilidade. Agora, no Brasil, só esperar. Quem sabe eles tragam para cá, com esse sucesso da série?

Fica aí a dica de série, música e HQ que trouxeram para mim e eu compartilho. O ano começou bem!

FDL

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Keith Morrison Investiga

O ID tem exibido esses especiais e não explica se são uma série, o título original, nada. Canal brasileiro difícil, viu? Mas eu vou atrás para poder acompanhar as boas produções gringas.

Falo sobre dois especiais lançados pelo jornalista Keith Morrison. O primeiro se chama Murder in Lehigh Valley, que o canal brasileiro chamou de Dúvida Razoável; e também o Who Killer Angie Dodge?, que tem finalmente uma tradução literal: Quem Matou Angie Dodge?

dúvida razoável  lehigh valley

Dúvida Razoável (Keith Morisson Investigates: Murder In Lehigh Valley)

Nesse caso, uma mulher chamada Joann Katrinak e seu filho bebê são encontrados mortos. A suspeita recai sobre Patricia Rorrer, uma ex-namorada do marido de Joann.

Em um caso cheio de erros e dúvidas, em que a perícia foi essencial para a condenação, mas maculada de problemas, o jornalista Keith Morrison entrevista policiais, promotores, enfim, os envolvidos no caso.

Engraçado como funciona a justiça em vários lugares: os responsáveis pela investigação decidem pelos seus instintos quem é o culpado, dali procuram por evidências que possam corroborar sua teoria. O contrário deveria acontecer, afinal, as provas que devem formar uma convicção.

Em alguns momentos Keith Morrison fala duro com os investigados que respondem como se enfiassem os dedos no ouvido e repetissem que ela é culpada, a despeito de evidências dizendo o contrário.

Claro que é impossível saber se Patricia é culpada, mas o in dubio pro reo anda desaparecendo por aí.

Excelente documentário.

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Quem Matou Angie Dodge? (Keith Morrison Investigates: Who Killed Angie Dodge?)

Em 1996 Angie Dodge foi assassinada e em mais um caso polêmico, o jovem Chris Tapp teve uma polêmica condenação. Ocorre que nem mesmo a mãe de Angie acredita na culpa dele e o documentário mostra a luta do condenado, com apoio da mãe dela, para provar sua inocência e ser solto.

Trata-se de mais um caso de confissão coercitiva, algo bem comum na justiça americana, que ainda considera confissão prova e aceita as técnicas para obtê-las, de modo a evitar um trabalho adequado de coleta de provas irrefutáveis.

É muito interessante nesse caso, a mãe de Angie defende-lo e ser a primeira pessoa a abraça-lo quando solto. Para muitas famílias traumatizadas, prender qualquer um pode ter algum efeito, mas para ela não, ela não quer que outra mãe perca o filho de forma injusta. Seu interesse é em encontrar o real matador de sua filha.

Muito bom documentário também.

Se sair mais algum com Keith Morrison, com certeza vou assistir.

FDL

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Ultimate Beastmaster

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Depois de ficar órfão do reality Exathlon Brasil, fiquei sabendo que no ano passado a Netflix exibiu essa competição e me pareceu bom dar uma chance.

Resultado? Vi a temporada inteira em poucos dias.

Ultimate Beastmaster é uma competição de força e habilidade, na qual participantes devem enfrentar um circuito chamado de A Besta. Há diversos obstáculos que imitam órgãos internos do animal e se o cara sofrer uma queda, cai fora.

Além disso, é uma competição entre países. Em cada episódio 06 países levam dois competidores e apenas um deles vence. Ao final de 09 episódios, todos os campeões se enfrentam e o grande campeão conquista seu título.

É legal também que há 06 cabines de apresentadores que além de fazerem esse trabalho, torcem pelos seus países. O Brasil foi representado pelo Anderson Silva e o Rafinha Bastos.

Eu sempre achei ele engraçado e a química dele com o Anderson foi muito boa. O programa além de tudo é engraçado.

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Ao final, um brasileiro foi o grande campeão, o que me deixou surpreso, porque, no geral, a galera do Brasil não estava indo muito bem não.

Já foi exibida a segunda temporada, com outros países. O Anderson e o Rafinha continuaram narrando para a versão brasileira, mas acabei assistindo só ao primeiro e perdi o interesse por não ter brasileiros.

Eles avisaram que na próxima temporada o Brasil volta. Aí vejo de novo. Gostei muito! Recomendo.

FDL

domingo, 14 de janeiro de 2018

A Vida Secreta dos Casais

a vida secreta dos casaisNo final do ano passado logo que assinei o pacote da HBO de forma definitiva, era essa série o destaque de futura estreia. Achei que seria uma boa dar uma chance, porque até hoje, em tudo que vi feito pela família da Bruna Lombardi, com erros ou acertos, eles saíram do lugar-comum.

Certamente foi o que houve nessa série.

Em A Vida Secreta dos Casais, Sofia (Bruna Lombardi) é uma terapeuta sexual em um instituto chamado Tantra, que tem novos métodos para livrar as pessoas de seus traumas sexuais. Há aulas práticas e diversos métodos diferenciados.

O problema é que apesar desse clima de paz e sabedoria, Sofia acaba se envolvendo em um assassinato que tem uma trama cabeluda por trás, envolvendo banqueiros, políticos, cyber espionagem e muita, mas muita enrolação.

A série tem diversos personagens, vários estereotipados: a filha da família que não aguenta a hipocrisia, a hacker de capuz, o detetive inteligente com problemas familiares, a melhor amiga intrometida, enfim...

Fato é que a série se divide em duas. A primeira é o instituto, com várias discussões sobre tabus sexuais, como no caso do menino trans, ou do padre gay em conflito com sua sexualidade, ou da mulher viciada em sexo, do homem com duas esposas. Ali o texto foi bom e a história interessante.

Na trama política ficou claro o amadorismo e em alguns momentos a inverossimilhança chega a dar dó. Os diálogos do banqueiro interpretado pelo Paulo Gorgulho são tristes. No meio do diálogo ele solta pérolas do tipo: “Já reparou que o ser humano é o único animal que mostra os dentes como forma de conquista?”. Ou “o poder não transforma, o poder revela”.

Obviamente os roteiristas retiraram essas frases de alguma leitura e enfiaram no meio de diálogos para dar o ar desejado.

Além disso, o final sem respostas estava telegrafado. Mas assisti até o final para me certificar.

Não dá para dizer que é de todo ruim. Até porque, a produção reuniu bons atores e até teria potencial, mas simplesmente essa trama de suspense não me agradou.

Pelo final aberto, a expectativa é de mais temporadas, mas não sei como será. Não sei também se verei.

FDL

sábado, 13 de janeiro de 2018

Os Contos de Edgar Allan Patoe

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Depois de ter lido no ano passado o encadernado de gibis de Maga & Min, o vírus dos gibis e hq de fato me pegou.

Comecei lendo pelo Go Read antes de assinar, mas isso é outro papo. Fato é que, por coincidência, logo depois de terminar esse post anterior sobre o livro de contos do Edgar Allan Poe, me deparo com a capa de Tio Patinhas de algumas edições anteriores falando exatamente disso.

Acabei indo atrás e descobri que a capa do gibi tem uma história que é continuação de outra de 2016. Claro que tive de ler.

patoe3A primeira coisa que salta aos olhos é como esses gibis são menos infantilizados hoje em dia. Claro que em muitos há a obsessão por super-heróis atual, mas em vários há histórias envolvendo até crimes e detetives.

Nessas duas histórias, que, por sinal, são longas e isso é algo bom, há diversas referências a contos que eu havia acabado de ler, principalmente com relação ao Detetive Dupin. Mas mesmo assim, podemos ver de forma sutil O Poço e o Pêndulo, o Gato Preto e outros.

Gostei muito das histórias e certamente esses dois gibis foram responsáveis pelo meu novo hábito de leitura. Se vai durar, sei lá.

FDL

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Edgar Allan Poe: Medo Clássico

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“- Decerto! Que vá para o inferno e que o diabo o carregue. Porém, conta-se que um certo sujeito rico e avarento colocou na cabeça que se aproveitaria de Albernethy, obtendo uma opinião médica sem precisar pagar a consulta. Forjando, com esse propósito, uma conversa casual quando estavam a sós, ele insinuou seu caso ao médico fingindo se tratar da doença de um indivíduo imaginário.

‘Suponhamos’, disse o avarento, ‘ que os sintomas deles sejam tais e tais. O que o doutor aconselha?’

‘O que aconselho?, respondeu Abernethy. ‘Bem, aconselho a procurar ajuda médica’

- Mas – disse o comissário, um tanto sem jeito – não estou me recusando a procurar ajuda e a pagar por isso. Eu realmente daria os cinquenta mil francos para quem me ajudasse na questão.

- Nesse caso, respondeu Dupin, abrindo uma gaveta e tirando um talão de cheques – você já pode me fazer um cheque no valor citado. Assim que o assinar, eu lhe entrego a carta.”

Edgar Allan Poe – A Carta Roubada

Retomando a leitura de contos, comecei no Halloween do ano passado a ler essa obra de compilação de contos do Edgar Allan Poe, lançada pela Darkside. A ideia era terminar em novembro mesmo. Bom...

O importante é que consegui conhecer a obra de Poe, já que eu tinha muita curiosidade, mas nunca realmente tinha me disposto a levantar e conhecer mais. Ainda bem que essa hora chegou.

O livro é dividido por temas e cada um deles tem contos relacionados: Espectro da Morte, Narradores Homicidas, Detetive Dupin, Mulheres Etéreas, Ímpeto Aventureiro e O Corvo.

São três contos em Espectro da Morte: O Poço e o Pêndulo, A queda da casa de Usher e O baile da Morte Vermelha.

O Poço e o Pêndulo

O livro já começa com um dos melhores contos do autor, também dos mais famosos.

A curta história mostra um protagonista sofrendo uma forte tortura psicológica. O interessante é que o Poe tem um estilo poético na prosa e o leitor se sente torturado também, porque apenas pela descrição do local e das sensações do personagem, temos a noção genuína do terror.

Há poucas informações históricas, apenas que se trata do período da Inquisição.

Entre várias torturas, o homem está em um local fechado e totalmente escuro, com um poço maroto disponível e não sabido, pronto para engoli-lo enquanto ele explorava o local.

Mas o mais tenso mesmo é um pêndulo, porque em um momento ele fica amarrado em uma cama enquanto vagarosamente (dias) um pêndulo ao teto com lâmina afiada vai fazendo seu movimento e cada vez mais se aproximando dele.

É o legítimo terror, com ratos, fundo de poço, claustrofobia, cegueira, enfim, sensações intensas de medo.

O Poço e o Pêndulo mostra que mesmo diante de situações tão adversas, alguma saída criativa pode acontecer.

A Queda da Casa de Usher

O conto é chato, longo e de linguagem monótona.

Nele, o narrador visita seu amigo Usher, em sua casa, que parece um castelo. Não se vêem há muitos anos e estranhou o convite, mas aceita ir.

Usher é cheio de manias e depressões, mas o narrador tenta animá-lo contando histórias, mesmo que detalhes da mansão o incomodem, sem saber explicar o motivo.

Ocorre que a irmã de Usher morre e este convence o narrador a deixa-la por uns dias no túmulo da família até ser enterrada. Porém, durante esse tempo, a casa tem barulhos estranhos e um clima esquisito do lado de fora.

Cada vez mais perturbado, Usher pede para que o autor lhe conte mais uma história. No meio dela, a irmã aparece e abre a porta, evidenciando que havia sido enterrada viva. Se joga sobre o irmão e eles parecem cair mortos. O autor sai correndo.

Esse conto é como um próprio pêndulo do conto anterior: varia entre loucura e paranormalidade de tempo em tempo.

Agora, apesar de ser chato e longo, a história realmente aterroriza, porque as descrições bem ao estilo gótico do autor são bem sombrias.

Ainda vale.

O Baile da Morte Vermelha

Neste conto, bem curtinho, há o personagem da morte, que é personificada numa bizarra figura humana, que depois se revela como um nada embaixo das vestes.

Bem, em O Baile da Morte Vermelha, a população de um local está sendo morta por uma peste conhecida como morte vermelha. A pessoa que tocasse alguém doente morreria em trinta minutos.

O príncipe, sabendo disso, foge para longe, em um castelo com sete salões e se isola, com sua nobreza.

Na história ele dá uma festa de máscaras e de tempo em tempo se faz o silêncio para observar se alguém teria sido vitimado, até que em dado momento uma figura mascarada invade o local e há uma perseguição por todos os salões.

Chegando no último salão, quando enfrenta o invasor, o príncipe cai morto e os nobres observam que sob as vestes do inimigo não havia nada, tratava-se da Morte Vermelha em si. Logo em seguida, todos morrem, um a um.

É bem interessante o autor utilizar esse tom sombrio e essas figuras góticas, que são tão famosas, para criticar aqueles que se acham melhores que os outros e abusam de privilégios. Ainda mais aqueles que quando devem proteger sua população, fogem para proteger a própria pele.

Excelente conto. Reli umas duas vezes, porque muita coisa se pega numa releitura.

...

São três contos em Narradores Homicidas: O Gato Preto, O barril de amontilhado e O Coração delator

O Gato Preto

Esses contos são mais nebulosos e sombrios que os outros, sobretudo porque há uma forte violência nos narradores.

Em O Gato Preto, o narrador arranca o olho de seu gato, Plutão. No mesmo dia há um incêndio em sua casa e ele perde tudo. Ele percebe diversos sinais do gato nos escombros.

Há uma sensação de punição por ter torturado o animal.

Ocorre que em um novo apartamento, ele e sua esposa adquirem outro gato, mas quando nota um novo sinal, resolve mata-lo. Porém, sua esposa o interrompe, causando ódio e o personagem a mata com machadada.

Para se livrar do corpo, ele a empareda. Fica mais aliviado quando o gato desaparece.

O problema é que a Polícia chega para investigar e quando já estão indo embora, querendo se garantir, o protagonista bate na parede para mostrar que é forte. Há um ruído que chama a atenção.

Quando a parede é derrubada, está lá o corpo e, na cabeça da mulher, o gato desaparecido.

Esse conto mostra de forma macabra o castigo que há na tortura e violência contra o animal inocente. O gato é um animal cheio de misticismo por conta do seu jeito ensimesmado, então é o animal perfeito para no campo onírico punir o humano sádico.

O Barril de Amontillado

Neste curto conto, há um personagem protagonista sem nome que conta em detalhes uma armadilha que cometeu contra um homem chamado Fortunado.

Ele o atrai para seu castelo sob a promessa de mostrar o barril de bebida e o engana, até leva-lo a um local subterrâneo e enterra-lo sob as pedras.

É um narrador psicopata e conforme o texto passa, você vai entrando nesse clima em uma narração de enganação para a morte como se fosse algo muito simples.

O Coração Delator

Este conto mostra um homem narrando que havia invadido uma casa e matado um homem velho, que tinha um olho que o incomodava. Após parar de ouvir os batimentos de seu coração, o esquarteja e enterra sob as vigas.

Só um adendo sobre a recorrência do tema olhos e enterros nos contos de Poe, não somente os de narradores assassinos.

Quando a Polícia o interroga, aparentemente sem saber o que houve, o homem passa a ouvir novamente as batidas do coração do velho e em alguma sensação que pode ser terror ou culpa, acaba por confessar.

Essa história, apesar de curta, é bem tensa e os momentos finais são bem perturbadores.

...

São três contos sobre o Detetive Dupin: Os Assassinatos na rua Morgue, O mistério de Marie Rogêt e A Carta Roubada.

Os Assassinatos na rua Morgue

Os contos são publicados nesse livro em forma cronológica e possuem relação.

No primeiro, temos um protagonista que narra seu contato com o detetive Dupin, pessoa esquisita (tal qual o próprio narrador), mas muito inteligente e analítica.

Dupin é chamado pela polícia para ajudar na investigação sobre a morte de duas mulheres residentes na rua Morgue. O crime foi extremamente violento, inclusive com uma delas em uma chaminé.

Os jornais mostram suspeitos e fazem diversas investigações e conclusões sobre o ocorrido.

A técnica de Duplin é uma excelente dica para os dias de hoje: ele simplesmente lê as notícias de maneira crítica, sem simplesmente engolir tudo que publicam.

Para isso, mostrando a conclusão em diálogos com o narrador, Dupin revela que foi cometido o erro de confundir o “insólito com o incógnito”. Quer dizer que às vezes a solução não é uma novidade, mas uma análise fria do que já se conhece.

A solução do mistério é bem inteligente e Dupin utiliza o próprio jornal, em uma notícia que aparentemente não teria conexão, para verificar uma e entender o ocorrido. Com isso, evita-se que um inocente seja condenado.

Observando textos pela internet, muito se fala que a dupla é o primeiro caso de detetives da literatura, que deram espaço a Sherlock Holmes e Poirot.

O conto de fato é muito bom e inteligente, mas falta o brilhantismo dos autores das obras seguintes. Acredito que o forte da obra de Poe realmente esteja nos outros contos, sobretudo os mais sombrios e de terror.

O Mistério de Marie Rogêt

Sem dúvida é o mais fraco de todos os contos. Mas ele tem suas qualidades a meu ver.

Dupin investiga um famoso caso que paralisou Paris. A jovem Marie Rogêt foi encontrada morta boiando no Rio Sena. O problema é que a polícia tem muitas dificuldades em identificar o assassino.

O detetive utiliza novamente as notícias de jornal para chegar às próprias conclusões sobre o ocorrido e chega a uma diferente resposta de quem a teria matado.

A polícia primeiro suspeita do noivo de Rogêt, mas esse se mata. Após isso, desconfia-se que ela fora vítima de uma quadrilha, fato que é afastado por Dupin, que crê em um assassinato cometido por um amante marinheiro.

A resposta efetiva não é dada. Embora Dupin afirme saber a resolução do caso, Poe não mostra no conto se a hipótese realmente é confirmada.

Interessante notar que o conto é uma forma literária de Poe mostrar que resolveu um assassinato real ocorrido em New York no período. Sabe-se, inclusive, que ele enviou o texto a jornais revelando saber quem matou a jovem americana.

O conto apenas troca nomes e locais para a solução. Por isso, esse conto é um misto de narração, investigação e muita filosofia sobre interpretação de fatos e investigação forense.

Por isso, em alguns momentos é extremamente maçante, porque são parágrafos gigantes de teorias do autor sobre a investigação. Não é ruim, mas falta adicionar algo que atraia o leitor.

Talvez haja crítica de que o leitor atual não seja capaz de gostar dessa linguagem não mastigada de autores mais antigos. Verdade, por isso que nem questiono a qualidade, apenas digo que é chato.

De todo modo, o próximo conto foi bem melhor.

A Carta Roubada

Poe encerra os contos do detetive Dupin com o conto A Carta Roubada.

Com o sucesso de Dupin nos casos anteriores, o comissário monsieur G. o procura novamente, pedindo ajuda em um caso novo.

Uma carta fora roubada de uma pessoa importante do governo, pelo ministro D. e, com isso, ele passou a fazer chantagem, criando problemas políticos insustentáveis. Sendo assim, a recuperação dessa carta era necessária para acabar com o crime.

Nesse caso, achei muito mais interessante a postura de Dupin, que não só recuperou a carta, como deu uma bela lição de moral no comissário.

Quero destacar o trecho em que ele fala sobre o médico que não se deixou explorar, é o que está na epígrafe deste post.

Ah, como isso serviria para afastar alguns “amigos”, não é mesmo?

Fora isso, mesmo sendo o conto mais curto dos três, é justamente nele que Poe faz outra dura crítica à polícia e ainda faz de forma magistral.

Poe aconselha o comissário a retornar à residência do ministro e procurar novamente, mas, dessa vez, utilizando um pensamento do mais óbvio com relação a como ele pensaria. Ele sugere que não adianta padronizar técnicas investigativas se o ser humano tem diversos tipos de comportamentos, inteligência e interesses.

O comissário nega e diz que já havia sido feito no local o que poderia ser feito. Daí então, Dupin lança mão da analogia ao conto do Procusto, da mitologia grega.

Uma nota de rodapé explica o conto, que confesso não conhecia até então. Trata-se de um bandido que oferecia estadia para as pessoas na sua casa. Nela ele tinha uma cama de ferro do seu próprio tamanho.

Se a visita era pequena para a cama, ele a esticava. Se era muito grande, cortava seus membros. É uma referência à intolerância do homem, que quer exigir de todos que se enquadrem nos seus padrões.

Utilizando essas lições, Dupin consegue enganar o ministro e recupera a carta.

...

Fazendo um balanço dos três contos, verificamos a qualidade do texto do Poe e sua preocupação em ser claro com seus personagens em criticar os problemas do homem de sua época.

Claro que os romances policiais vindos depois acabaram por evoluir a técnica narrativa desse tipo de história, mas é muito interessante conhecer a gênese desse tipo de literatura que eu gosto tanto.

Com isso, chego na metade do livro e no momento me dedicarei a contos de outros autores, para muito em breve retornar e concluir os contos de Poe.

Mas certamente o Poço e o Pêndulo ficarão por muito tempo no meu pensamento.

FDL

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Dunkirk

dunkirkFilme: Dunkirk
Nota: 8,5
Elenco: Tom Hardy (praticamente o filme todo de capacete), Kenneth Branagh, James D'Arcy, Cillian Murphy, Harry Styles (sim, o do grupo do Nissim Ourfali)
Ano: 2017
Direção: Christopher Nolan (também escreveu)

O Nolan não é meu diretor preferido, sei lá eu por qual motivo, mas quando vi a indicação de Dunkirk na temporada de prêmios e soube que tratava-se de uma batalha ocorrida durante a Segunda Guerra, resolvi ver, mesmo fugindo do meu estilo de filme.

No final, foi uma agradável surpresa Dunkirk.

As atuações foram muito boas, sobretudo em uma história com poucos diálogos e muita ação, muito olhar de medo, raiva e ansiedade. O elenco todo na minha opinião está de parabéns, até mesmo o novato Harry Styles, que soube aproveitar a chance ganha.

Dunkirk tem cenas fortes de ação de guerra em aviões, navios, submarinos, terra, enfim, mostra muito da complexidade do que foi aquela guerra horrível.

A história não entra muito em debates ideológicos do conflito e mostra mais a relação humana das pessoas durante a situação extrema de vida ou morte, ininterrupta e longa.

Gostei muito e fiquei muito tenso.

Valeu a escolha.

FDL

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Lady Bird: É Hora de Voar

lady birdFilme: Lady Bird: É Hora de Voar (Lady Bird)
Nota: 9,5
Elenco: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf (a.k.a. mãe do Sheldon)
Ano: 2017
Direção: Greta Gerwig (também escreveu)

A temporada de prêmios sempre traz boas opções de filmes. Muitas vezes são histórias que não me chamariam a atenção pela sinopse ou nomes envolvidos, mas que acabo vendo pelo destaque que recebem da crítica. Nem sempre eu gosto, mas dificilmente não possuem boas qualidades.

Com Lady Bird não foi diferente. Já tinha visto Brooklyn com a Saoirse Ronan (graças a deus que não preciso falar o nome dela!) e tinha gostado muito da atuação. Achei legal a mãe do Sheldon aparecer no cinema também. Aliás, ambas estiveram excelentes nas cenas de um relacionamento tenso de mãe e filha.

Tal qual Brooklyn, Lady Bird não investiu em uma história com reviravoltas ou acontecimentos relevantes. A foco nesse filme é o desenvolvimento interno dos personagens. E faz isso muito bem.

Lady Bird é um nome auto escolhido pela inquieta adolescente Christine, que está no Ensino Médio de uma escola católica. Como acontece com todos os jovens, Lady Bird sofre para descobrir quem é, o que quer e o que a faz feliz.

Nessa busca, Lady Bird tem lições sobre namorados, amigos, professores, escolhas e relação com a família.

Não há muito o que dizer sobre a história, apenas que em diversos momentos nós nos relacionamos em algum ponto com alguém da família ou alguma situação enfrentada por eles.

É um filme que segue muito bem a ideia de que menos é mais, desde que feito com vontade e verdade.

Recomendo muito esse filme. Começamos o ano muito bem.

Ainda não saíram as indicações ao Oscar, mas aposto em algumas para Lady Bird.

FDL

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Dark – 1ª Temporada

dark_5-750x380Puta série esquisita, mano!

Resolvi ver agora nesse comecinho de ano e, por menos que eu entendesse, por mais que eles me confundissem, mais eu queria saber o que aconteceria. Bizarro isso.

A série é da Netflix, com produção alemã, inclusive falada em alemão.

A história envolve o desaparecimento de crianças, tecnologia nuclear, viagem no tempo e teorias a respeito de buracos negros.

Tudo isso me espantaria na hora, mas por algum motivo resolvi dar uma chance. Aliás, vivendo e mudando. Ano passado mesmo eu já li o livro Matéria Escura e acabei gostando.

A série não é isso tudo. Acaba sendo muito confusa e eu realmente acredito que quando os enredos são muito complexos, confusos e criam mais mistérios do que resolvem, é uma tática para disfarçar suas falhas.

Não me empolguei muito em ficar buscando inconsistências ou explicações mirabolantes implícitas. Simplesmente acho que a série não merece tanta dedicação. Mas no final não tem como dizer que é ruim.

Os atores estavam muito bem e em muitos momentos aprofunda-se uma discussão ética a respeito da violência e valores que não mudam mesmo com alteração de tempo. Isso, somando-se aos crimes, fazem com que a série seja uma boa opção.

Vamos ver se vou ter saco para a próxima temporada.

FDL

Top 10 2017: Séries

Em 2017 eu acabei vendo bem menos séries do que eu fazia antes. Os interesses vão mudando. Logo logo eu volto a ver mais.

Isso não quer dizer que a qualidade tenha sido ruim. Ao contrário. Eu acho que vivemos num dos melhores momentos da televisão, seja ela a cabo, streaming ou alguma coisa que já tenham inventado enquanto eu escrevo por aqui.

Partiu.

1 – Big Little Lies

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David E. Kelley, um puta elenco, um livro excelente e HBO só poderiam dar a série do ano. Os prêmios levados foram justos.

Vai ter nova temporada. Acho perigoso.

Recomendo que qualquer participante do ano de 2017 veja essa série.

2 – House Of Cards

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A série ainda que tenha se desgastado um pouco, continua sendo um momento do ano em que eu paro tudo para maratonar.

É inteligente, fria e muito bem feita.

O que vai ser da próxima temporada, sem protagonista? Sei lá, vamos esperar.

3 – How To Get Away With Murder

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Enquanto tiver Viola Davis eu assisto, por mais que o enredo comece a forçar a barra. Isso era iminente, como sabíamos.

Mas o final de um episódio dessa série nos dá aquela ansiedade que só algo com bom suspense faz.

4 – Mindhunter

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Boa surpresa no final do ano com essa série trazida pela Netflix, inspirada em um livro do mesmo nome. O nome do David Fincher nos créditos (tal qual em House of Cards) já anima bem.

A série fez bonito falando desse tema espinhoso e vai ter nova temporada.

5 – The Good Fight

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É The Good Wife sem a Alicia. Com as qualidades e os defeitos.

Mas o texto e as atuações valem para que eu recorra a qualquer site de torrente para achar os episódios quando saem.

6 – Love

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Essa comédia despretensiosa e com protagonistas tão comuns é uma delícia de assistir.

A próxima temporada vai ser a última, o que é bom para evitar enrolações.

É daquelas comédias que te fazem esquecer o mundo e passar o sábado no Netflix.

7 – Friends From College

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Friends From College não foi tão bem aceita pela crítica, mas o que dizer do povo que considerou o filme Corra! Uma comédia?

Eu achei bem engraçada e escrota, do jeito que tem que ser com algumas séries.

Valeu a risada para quem ainda não esquecer como isso é bom.

8 – Veep

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Julia deu uma decaída nessa temporada, mas ainda assim essa série é muito engraçada.

A próxima temporada também vai ser a última e não sei como vai ser a vida sem
Selina Myer.

9 – This Is Us

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Série triste, ein? Haja!

Todos os personagens são bem pensados e não são puros estereótipos.

As relações familiares são tratadas de um jeito tão diferente que você continua vendo essa série.

Acontece que não sei por quanto tempo ela se segura com a história. Vamos ver.

10 – Broadchurch

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A despedida do ano.

Não posso aceitar que não vou mais ver os detetives!

Acho que ainda tinha história sim, mas vai entender os britânicos?

A temporada final foi muito boa e trouxe uma nova história bem tensa.

Trago três menções honrosas:

Room 104 – 1ª Temporada

2 Broke Girls - 6ª Temporada (despedida totalmente sem sentido!)

13 Reasons Why

Até a próxima!

FDL

Top 10 2017: Livros

Comemorando que agora em 2017 eu consegui completar meu desafio de livros do Goodreads, vamos adicionar livros ao top 10. Foi um ano de boas leituras para mim.

Só decidi não colocar livros de contos na lista, porque alguns não terminei e outros acho que ficam numa competição esquisita. Quem sabe um post no futuro sobre contos?

Bora

1 – Psicose – Robert Bloch

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Um clássico do cinema que virou clássico de livro para mim. Só de ver a capa novamente já dá vontade de ler tudo de novo.

Esse livro conta uma história pavorosa, mas é o jeito de contar que nos faz ler tudo de uma vez.

2 – Manson – Jeff Guinn

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Trata-se de uma biografia honesta, que analisa um ser humano sem juízos de valor, embora seja bem díficil.

Vale também por situar o leitor no período histórico e político para compreender essa pessoa.

3 – Alta Fidelidade – Nick Hornby

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Uma leitura agradável e um protagonista que a gente acaba adorando odiar.

Uma vida de um desajustado, que é assim pelos motivos certos.

Gostei muito dos coadjuvantes também.

4 – O Povo Contra O.J. Simpson – Jeffrey Toobin

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As mesmas palavras ditas sobre o caso do Manson se aplicam aqui.

Esse livro é extremamente completo e é bem descritivo sobre esse caso que tem tantas óticas diferentes a se analisar.

5 – Carrie, A Estrranha – Stephen King

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O mês de suspense nesse ano rendeu!

Que surpresa esse livro ser tão bom. Mais uma vez uma história de desajustado, mas devemos tomar cuidado com quem mexemos.

6 – Meu Amigo Dahmer – Derf Backderf

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2017 foi o ano em que eu comecei a ler HQs de forma definitiva. Tenho certeza disso.

Esse livro foi um dos responsáveis por isso.

Ilustrações bizarras em uma história bizarra. Só podia ter sido um dos melhores do ano.

7 – Matéria Escura – Blake Crouch

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Observo que em 2017 eu me desafiei. E deu certo.

Por algum motivo dei uma chance a um livro que tinha pegada de ficção científica. O suspense e os crimes ajudaram.

Não me arrependi.

Que história e que leitura boa!

8 – Pequenas Grandes Mentiras – Liane Moriarty

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A série que viria em seguida me fez ler esse livro e foi uma ótima escolha.

Leitura com tensão, drama, humor, tudo junto, com aquela mão que desce um tapa e acaba com as hipocrisias.

9 – O Bebê de Rosemary – Ira Levin

bebe de rosemary livro

Outra surpresa.

Esse livro é um suspense de primeira qualidade. Segura muito mais que o filme.

Tudo vai se construindo e quando você viu, está lendo e o dia já amanheceu.

10 – Tieta do Agreste – Jorge Amado

tieta

Tinha que ter livro nacional aqui!

A novela reprisou e me encantou com a declaração de amor à cultura brasileira.

O livro, apesar de muito longo, não foi diferente.

Lerei Jorge Amado novamente.

Até me arrisco a fazer três menções honrosas:

S. – Doug Dorst e J.J. Abrams
Black Hole – Charles Burns
O Segredo dos Corpos – Dr. Vincent Di Maio & Ron Franscell

FDL