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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Charles Manson: A Mente de um Louco

id charles manson

O AE& passou há algumas semanas esse especial e eu guardei para o mês do true crime. Do mesmo modo fez o ID.

Ambos especiais seguem a mesma ideia: revisitar o caso de Manson para investigar se ele estaria envolvido em mais crimes do que os descobertos, além de descobrir o que tinha de verdade na teoria do Helter Skelter.

Foram feitas várias entrevistas e foi utilizado um material de gravações da própria voz do assassino, gravada em entrevistas na cadeia.

Tentaram conversar com ex-membros da família e pessoas que conheceram aquele grupo.

O especial é de arrepiar, porque sempre vão descobrindo coisas novas e o poder que esse homenzinho teve foi impressionante. Esse caso é bizarro e o comportamento humano nesse período era louco.

Muito interessante. Recomendo.

FDL

sábado, 9 de junho de 2018

Partners In Crime–M ou N?

partners in crimeColocando em dia os especiais da Agatha Christie que fizeram nos últimos tempos, chegou a vez de Partners In Crime.

Acabei deixando por último porque sei que essa série não fez sucesso lá nos U.K. Algumas pessoas reclamaram do elenco e das histórias. Tanto é que havia mais histórias para serem feitas, mas desde 2015, ano dessa primeira temporada, nada de continuação foi anunciada nem será.

São 06 episódios, que são divididos em 02 histórias: O Adversário Secreto e N ou M?

Partners in Crime na verdade é um livro de Agatha Christie (Sócios no Crime), com contos o terceiro, na verdade, publicado com o casal Tommy e Tuppence.

Tommy e Tuppence são personagens mais colocados para escanteio na obra da Agatha. Poirot e Miss Marple são muito mais famosos.

Mas foram publicados 05 livros com romances e contos com histórias do casal que se envolve em investigações, geralmente com relação a espionagem.

Na ordem publicada pela autora, a primeira história da série também é o primeiro livro. Já a terceira da série, é o terceiro livro. Isso até faz sentido, porque preferiram fazer histórias mais longas e o segundo livro é de contos.

Foi a pior adaptação da Agatha que eu vi até hoje. O casal não tem química. O ator que faz Tommy é péssimo. Sem carisma, sem expressão.

Além disso, muitas coisas ali não estavam com cara de Agatha Christie, por isso, vi que eu tinha nos últimos boxes que a Harper Collins lançou um dos livros dali, o N ou M?, por isso, resolvi ler para ver a diferença.

M ou N? – Agatha Christie

agatha christie - m ou n

“Uma velha senhora, recoberta de contas, que tricotava um suéter cáqui.

Tommy pensou que fosse desmaiar.

A sra. Blenkensop era Tuppence!

Impossível! Inacreditável! Tuppence, calmamente tricotando na sala de visitas da pensão Sans Souci.

Ela olhou para ele com um ar de indiferença.

Tommy ficou mais espantado ainda.

Tuppence!”

Agatha Christie

Na história desse livro, o casal já está na faixa dos 40 anos e Tommy é convidado para se infiltrar em uma pensão para descobrir quem é um espião alemão, que colaborava com os nazistas no início da segunda guerra.

Tuppence é deixada de fora mas não aceita ser excluída somente por ser mulher. Por isso, se enfia na investigação e também participa.

Na pensão há vários suspeitos e durante o curto livro, que facilmente é lido em um dia só, o casal adota nomes falsos, finge não se conhecer e investiga todos para saber quem é o espião, que tem o pseudônimo de N ou M.

De fato não é dos livros mais inspirados da Agatha Christie, mas nem de longe ele merecia que a BBC tivesse feito isso com ele.

Foi tudo alterado!

Até o contexto, que saiu da guerra e foi para a guerra fria, com a espionagem soviética. Tommy e Tuppence estão mais jovens. Há personagens a mais, outros suprimidos. Histórias retiradas, outras adicionadas. É feita uma salada sem sentido.

Claro que eu não reconheceria uma obra da Agatha Christie nesse especial. Meramente é uma inspiração em um livro dela.

Agora entendo por que essa série não foi para a frente. Atores ruins, história alterada e ainda picotada em especiais? Nunca daria certo.

Acho engraçado que esses diretores ou roteiristas querem se aproveitar de grandes nomes da literatura para promoverem seus livros e filmes de forma fácil. Mas com seus egos, se recusam a respeitar as obras.

Querem fazer uma obra original? Criem uma, não façam retalho de outras.

Algumas alterações feitas para dramaticidade, para caber no formato ou até mesmo para popularizar eu entendo. Agora, essa coisa sem propósito não faz o mínimo sentido.

Não recomendo essa série.

FDL

segunda-feira, 26 de março de 2018

A Noite é Delas

a noite é delasFilme: A Noite é Delas (Rough Night)
Nota: 8
Elenco: Scarlett Johansson, Zoë Kravitz, Kate McKinnon, Ty Burrell, Demi Moore
Ano: 2017
Direção: Lucia Aniello

“Inseparáveis na juventude, Jess (Scarlett Johansson), Alice (Jillian Bell), Blair (Zoë Kravitz) e Frankie (Ilana Glazer) tomaram rumos totalmente diferentes após a formatura e se reúnem pela primeira vez em anos para a despedida de solteira de Jess. Com uma casa de praia alugada em Miami, elas - mais Pippa (Kate McKinnon), amiga australiana da noiva - planejam bebedeiras, drogas, sexo e baladas, mas acabam na verdade tendo muita dor de cabeça para ocultar o cadáver de um stripper morto acidentalmente.”

Estava no clima para comédia e apareceu essa, que parece ser recente. Com a Kate McKinnon no elenco as chances de ser ruim seriam baixas.

Não é ruim, mas também não é ótimo.

Gosto da sequência de cenas absurdas e merdas que vão acontecendo, do mais improvável ao mais nojento possível. É pra fazer rir, não é pra ser verdadeiro.

Uma cena ou outra é fraca e a atuação da Scarlett estava bem preguiçosa, mas é a vida.

Kate McKinnon, mais uma vez, não decepcionou. Eu passei mal de rir com as cenas da australiana sem noção e meio maluca que ela fez.

Esse tipo de comédia diverte e só. Nada demais. Não sei se vou lembrar desse filme por muito tempo, porém.

FDL

domingo, 25 de março de 2018

Ducktales

Soube da volta do desenho, em versão modernosa, então resolvi fazer meu apanhado e partiu post completão de um dos meus desenhos preferidos da infância.

Ducktales – Capa Dura

ducktales livro

Esse lançamento da Editora Abril é mais uma edição de colecionador imperdível. São mais de 400 páginas em papel nobre, com capa dura e apenas 3 histórias, bem longas e completas. É compilação de contos que foram divididos ao longo dos anos.

O primeiro é “Em Busca Da Número Um” em que Tio Patinhas e os Sobrinhos precisam resgatar Patrícia, que foi sequestrada pela Maga Patalógika, que quer em troca a moeda número um.

O segundo é “A Odisséia do Ouro”, que explora aventuras de Tio Patinhas e os meninos contra seu arqui-inimigo explorando diversas civilizações e planetas.

Por fim, há a história “Legítimos Donos”, mais atual, com um desenho um pouco mais moderno. A pior história, na minha opinião.

Eu lia aos poucos e me policiava para durar mais. É uma sensação boa de resgate de infância, onde a diversão e a brincadeira eram estimulados, tal qual a imaginação e a inteligência.

ducktales gibi1ducktales gibi2

Além disso, nesse momento já foram lançados também dois gibis das novas edições mensais que vêm na assinatura. Espero que essa nova geração de Ducktales pegue. Gostei muito dos novos gibis também, muito embora eles sejam bem introdutórios nas histórias ainda, não tenham mostrado muita coisa.

Depois disso, vi que a Netflix tem no catálogo um clássico das fitas VHS dos anos 90. Claro que tive de rever.

Trata-se de DuckTales, o Filme: O Tesouro da Lâmpada Perdida.

ducktales o filmeSinopse:

“Prepare-se para uma aventura super divertida em companhia de seus personagens favoritos: Tio Patinhas, Huguinho, Zezinho, Luisinho e Patrícia. Junte-se aos DuckTales em uma arriscada viagem pelo Egito, atravessando o deserto em busca do Tesouro de Collie Baba. Com muitas risadas, aventura e personagens divertidos, Ducktales - O Tesouro da Lâmpada Perdida é um clássico da Disney que vai encantar toda a sua família.”

É bem divertido e tem a cara dos desenhos menos badalados da Disney daquela época. Eu ria em lembrar das histórias e do gênio meio idiota. Valeu muito a pena rever.

Fora isso, terminou nessa semana a nova série, de 09 episódios que passou no Disney XD.

ducktales disneyxd

Aquela abertura clássica com a musiquinha que todos conheciam parece que teve treta com direitos autorais, mas chamaram a Ivete Sangalo, que cantou a mesma melodia, só com uma letra parecida. Deu certo.

A história é mais adaptada às crianças inquietas de hoje em dia. Os personagens não param de falar e o ritmo é acelerado.

Eu achei os episódios iniciais melhores. Os finais não foram tão bons não, principalmente um que eles satirizam o empresas como Google e Facebook e o episódio final.

De todo modo, achei que o desenho tem potencial, porque são bons personagens e fizeram um excelente Tio Patinhas novamente. Gostei de ver. Pena que foram tão poucos personagens.

Deu até vontade de rever a série original, que teve dezenas de episódios e está inteirinha nas internets. Mas no momento, mesmo com tempo livre, não dá. Quem sabe mais pra frente?

Só digo que vale a pena vez ou outra relembrar a infância e curtir algo do tipo. Ducktales foi um bom exemplo de desenho que foi boa influência para quem leu/assistiu.

FDL

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O Caso do Policial Canibal

canibal policial

Original: Thought Crimes: The Case Of The Cannibal Cop

Mais um documentário original HBO sobre true crime.

É retratada a história do policial Gilberto Valles, de New York.

Valles foi condenado em 2012, após serem encontradas em seu nome diversas postagens em fóruns da internet planejando sequestrar e comer a carne de várias vítimas. Além disso, foram encontradas pesquisas de Valles nos computadores da polícia, que indicavam os nomes das pessoas que ele planejava ferir.

Houve prisão, mas não sem uma grande controvérsia: Valles nunca chegou a atacar ninguém, nem deu início a qualquer execução de crime. Sua defesa era de que tudo aquilo não passava de fantasia que ele escrevia nos fóruns e que jamais planejou colocar em prática qualquer coisa escrita.

Os defensores de Valles afirmam que ele foi condenado pelo simples fato de pensar, algo que não é crime. Nos EUA há o crime de conspiração para homicídio, no qual é possível punirem-se os atos preparatórios para o crime de homicídio.

Tal qual no Brasil, atos preparatórios não são puníveis, a não ser que haja algum tipo criminal especificando essa conduta.

Ocorre que nem um pequeno ato preparatório a defesa entende ter sido realizado. A pesquisa dos nomes no computador de Valles teria sido meses antes e não tinha relação porque ele, de fato não chegou a fazer nada. Não foi apreendida arma, ou outro instrumento, ele não foi flagrado fazendo nada que pudesse indicar um crime em iminente ocorrência.

Já os acusadores entenderam que Valles ao compartilhar esses desejos assassinos e canibais e relatando planos com grandes detalhes, conspirou para ocorrer um crime e não tivesse sido sua prisão, certamente uma tragédia ocorreria, afinal ele tem os traços de um psicopata.

Apesar da condenação, Valles recorreu do crime e acabou obtendo o direito de liberdade, primeiramente com tornozeleira eletrônica, e depois ficou livre por completo.

Assistindo ao documentário, que é de 2015, vi que a história ainda não tinha acabado, pois a promotoria havia recorrido também, buscando sua condenação.

Eu pesquisei rapidamente e, pelo que eu vi, o recurso acusatório não foi acolhido e aparentemente o caso acabou com a absolvição de Valles.

Há dois pontos interessantes sobre esse caso que eu fui pensando conforme via: o primeiro deles é que muitas pessoas acreditam que as redes sociais sejam um universo paralelo e nele podem assumir outras personas e escreverem o que querem, do mesmo modo que podem fantasiar em suas mentes. Não podem. Mesmo que não sejam presas, são moralmente julgadas e isso tem consequências, porque o mundo real e o da internet estão completamente fundidos já.

A segunda observação tem a ver com o julgamento moral. Ao final do documentário, Valles lamenta não ter mais o contato de sua ex-mulher e filha (a primeira que encontrou as postagens). Mas, acima disso, ele ficou conhecido como o policial canibal e, apesar de feliz com a liberdade, em ser um “cidadão comum”, como ele poderia agora encontrar uma parceira? Que mulher iria querer se envolver com ele?

Enfim, sei lá eu se ele realmente planejava matar e comer alguém, muito menos sei se essa prisão o impediu de destruir uma vida (não que em caso positivo ela se justificasse), só sei que palavras têm poder, ainda mais em tempos que não há mais borracha possível para apagar o que é escrito e publicado.

Seja lá como for, ainda acho temerária essa postura de julgamento moral e de manipulação de sensações dos jurados que os julgamentos norte-americanos têm. Não se busca verdade ou justiça, é cada vez mais um jogo de quem tem mais habilidades e recursos para cumprir sua agenda. O lado mais fraco, lógico, dança nessa história.

É um bom documentário, com testemunhos e imagens reais. Um dos meus favoritos até agora.

FDL

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Chaves – A história Oficial Ilustrada

Chaves – A história Oficial IlustradaJá fazia muito tempo que tinha comprado esse livro e estava aqui esperando a hora certa de ler. Nem houve nada de especial, só um tempo livre e como são 200 páginas com letras grandes e várias figuras, rapidinho é lido.

Esse livro é da editora Universo dos Livros e é uma tradução de obra feita pela emissora de Chaves no México. É um trabalho impecável. Realmente de primeira qualidade.

As primeiras páginas são dedicadas à biografia de Roberto Gómez Bolaños, desde a infância até ser consagrado como um dos maiores comediantes e profissionais da televisão da história mexicana.

Essa parte é bem interessante, porque vemos a vida de Roberto influenciando como acabaram sendo seus personagens e o que acontecia com ele.

As páginas seguintes mostram a história dos programas de Chespirito (seu apelido) na televisão, principalmente Chaves e Chapolin, com guias de personagens, biografias e curiosidades.

O livro foi escrito antes da morte de Bolaños em 2014 e também fugiu das polêmicas pesadas que houve entre ele e o restante do elenco, passando superficialmente sobre alguma coisinha.

Gostei muito de conhecer um pouco mais sobre o criador do seriado que marcou minha infância e até hoje tem aquela sensação agradável de conforto quando assisto a algum episódio por aí.

Recomendo esse livro.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A Balada de Adam Henry – Ian McEwan

A-Balada-de-Adam-Henry“Vou lhe dizer por que estou aqui, Adam. Quero ter certeza de que você sabe o que está fzendo. Algumas pessoas acham que você é jovem demais para tomar uma decisão como essa e que foi influenciado por seus pais e pelos líderes da congregação. E outros acham que, como você é extremamente inteligente e capaz, deveríamos apenas deixar que siga em frente.”

Ian McEwan

Já estava curioso com essa leitura há algum tempo, porque recebi boas indicações. Até fiquei surpreso com o tamanho do livro quando chegou. É versão menor com 190 páginas. Termina-se rapidinho e sem muitas paradas, seja pelo ritmo da narração, seja pela qualidade da história.

A história se passa na Inglaterra e tem como protagonista a juíza Fiona Maye, de um tribunal superior que trata de direito de família. Ao longo das primeiras páginas conhecemos o teor de alguns casos com que ela trabalha e, ainda que com muita humanidade, já faz de forma mecânica. Além disso, Fiona encara uma crise no seu casamento, mesmo depois de tanto tempo.

A situação que ocorre pra incomodar o marasmo é o caso de Adam Henry, um adolescente com 17 anos e leucemia. Seu tratamento precisa urgentemente de uma transfusão de sangue para que ele tenha chances e não morra. Ocorre que Adam e sua família são testemunhas de Jeová, religião que se opõe fortemente às transfusões, preferindo a morte a recorrer a esse tipo de procedimento.

Como Adam tem 17 anos e se recusa ao tratamento, o processo pedia que a juíza verificasse se ele tinha “competência de Gillick”, caso no qual o jovem já está intelectualmente e emocionalmente apto a decidir sobre sua própria saúde.

Nesse caso que envolve um conflito entre direito à vida, liberdade religiosa e tutela dos interesses de um adolescente, a juíza acaba conhecendo Adam e se aproximando dele, que é inteligente e artisticamente sensível. Como ela passa por um momento difícil da vida, essa aproximação mexe com a magistrada. O resto é spoiler.

Esse tema da transfusão de sangue com testemunhas de Jeová para quem estudou direito já é bem batido. Para quem não é da área eu não sei se é de conhecimento generalizado. Ainda assim, gostei do paralelo que isso tem com a vida pessoal da própria juíza. Isso é assim porque em ficção no geral o a figura do juiz é a do sisudo velho atrás da bancada batendo o martelinho, sem humanidade por trás.

O livro é bem interessante e tem diversas passagens com boas reflexões e discussões a respeito de religiosidade, postura ética do magistrado, relações de casamento quando se aproxima a terceira idade, a relação do ser humano quando se vê à beira da morte, enfim, são páginas ricas em conteúdo, sem a menor dúvida.

Gostaria de ter me apegado um pouco mais a essa personagem? Sim. Fiquei sentindo que faltou algo que não sei explicar? Também. Até por isso, apesar de achar que é um bom livro, não está no topo da minha lista nesse ano.

Esse autor é muito respeitado e tem várias obras famosas e recomendadas. Tenho interesse em lê-lo novamente e mesmo que não tenha ficado tão empolgado assim, deixo minha recomendação.

FDL

sábado, 19 de agosto de 2017

O Advogado Rebelde – John Grisham

adv rebelde

“Em geral, sou um imbecil hipócrita quando meus clientes são notoriamente culpados. Mas, se me derem um homem inocente, eu exalo arrogância e superioridade. Sei disso e luto com todas as forças para dar a impressão, ao júri pelo menos, de que de fato sou uma pessoa amigável. Na verdade, não me importo se me odiarem, desde que não odeiem meu cliente. Mas, quando represento um santo como Doug Renfro, é essencial que eu vá até o fim igualmente zeloso, mas não ofensivo. Incrédulo com a injustiça, mas também confiável. ”

John Grisham

De longe esse foi o pior livro do Grisham que eu já li. E ainda passei ele na frente de outras opções porque queria uma opção confiável, na qual eu sabia com o que contar.

É o livro mais recente dele publicado no Brasil e deixou a desejar em dois aspectos: o narrador em primeira pessoa é muito chato, com uma descrição desinteressante sobre sim mesmo; além disso, a história é extremamente inverossímil, ainda que divertida e instigante.

O começo de O Advogado Rebelde é bem chato, tanto que liguei a luz laranja para abandoná-lo depois da página 50 se alguma mudança não acontecesse. É raro eu fazer isso.

Mas, de fato a leitura embala, porque a história tem um protagonista, o advogado Sebastian Rudd, que tem seu estilo peculiar de trabalhar e há uma divisão por capítulos, com casos em que ele trabalha bem demarcados, como se fossem contos.

Aliás, fica bem clara a linguagem televisiva do Grisham nesse livro. Fica evidente o interesse em transformar esse livro em uma série. Pode até dar certo, porque o protagonista até é carismático. Um narrador diferente teria deixado tudo mais interessante.

Uma passagem inicial nessa história particularmente me irritou e eu até marquei para não esquecer de como foi sem inspiração:

“...No interrogatório, eu a ataco com uma sede de vingança que parece espantar até Kauffman e Huver. Ela deixa a sala aos prantos. Em seguida, trazem sua imprudente filha, srta. Marlo Wilfang, que repete sua pequena narrativa sob a desajeitada indagação de Dan Huver, que agora já está completamente desarvorado. Quando ela é passada para mim, eu a conduzo docemente pelo caminho da paz, depois corto sua garganta de orelha a orelha em menos de dez minutos, ela está chorando, arquejando e desejando mil vezes nunca ter me chamado na arena...”

Esse é um dos exemplos da falta de inspiração. Cortou a garganta como? Deixou as mulheres aos prantos como? É um parágrafo inteiro dizendo: sou foda, não importa como, foi assim e acabou.

As histórias mais ao final do livro com o advogado ficam melhores, mas são excessivamente fantasiosas. Chega a irritar em alguns pontos. É melhor ligar a chavinha de leitor ingênuo para terminar esse livro.

Me parece que Grisham construiu um personagem bom, mas não teve paciência de criar boas histórias para ele e de narrar tudo de forma interessante e original.

De longe isso não me afasta do autor. Foi apenas um momento de baixa inspiração. Acontece com todos.

Só vi boatos pela internet que a ideia é de que haja continuações e espero que nelas o autor capriche mais.

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Ainda assim, como ponto positivo vale uma crítica em especial, em meio a tantas, que Rudd faz ao sistema criminal americano, ao modelo de guerra às drogas, que também ocorre no Brasil:

“Jovens e negros, quase todos eles. Segundo os números, estão presos por crimes não violentos relacionados a drogas. A pena média é de sete anos. Depois da soltura, sessenta por cento estarão de volta aqui em três anos.

E por que não? O que há do lado de fora para evitar sua volta? Eles agora são criminosos condenados, uma marca da qual jamais conseguirão se livrar. Desde o começo, as probabilidades estavam contra eles e, agora que estão rotulados como criminosos, a vida no mundo livre deve de alguma forma melhorar? Eles são as verdadeiras baias de nossas guerras. A guerra contra as drogas. A guerra contra o crime. Vítimas involuntárias de leis duras passadas por políticos duros nos últimos quarenta anos. Um milhão de jovens negros agora armazenados em prisões decadentes, passando os dias no ócio à custa do contribuinte.

Nossas prisões estão lotadas. Nossas ruas estão cheias de drogas. Quem está vencendo a guerra?

Nós perdemos o juízo”.

FDL

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Sarah Silverman: A Speck of Dust

SarahSilverman_Netflix

O último stand up que apareceu da Sarah foi em 2013, na HBO, o We Are Miracles. Não sei por que eu não postei nada por aqui. Aliás, até achava que tinha postado, mas era uma época complicada.

Agora, há algumas semanas, a Netflix anunciou um novo show com ela, chamado A Speck of Dust. Então, esperei estar tranquilo e me divertir com essa mulher, que é inigualável.

O show é mais do mesmo: Sarah no palco sem figurinos e adereços, apenas com sua voz falando absurdos milimetricamente pensados, sendo extremamente debochada e engraçada, mas não sem fazer severas críticas à hipócrita sociedade elitista.

Em apresentações anteriores, Sarah falou de assuntos considerados tabus, como religião, política, aborto, racismo, estupro, enfim... Nesse ela optou por falar de: religião, política, aborto, racismo, estupro. Quem achava que o assunto dela estava esgotado se enganou. Quem achou que ela tinha atingido o ápice do politicamente incorreto se enganou novamente.

A diferença aqui é que ela não fez as apresentações musicais, que também são muito boas. Senti falta.

Alguns exemplos de assuntos que ela explorou em forma de comédia:

Ela mencionou que sua irmã tinha uma amiga e quando a foi cumprimentar, estendeu a mão, mas a mulher tinha ganchos no lugar da mão, que ela fingiu não notar e sacudiu como se nada tivesse acontecido.

Ela escrotiza geral dizendo que os padrões de beleza que a sociedade impõe são impossíveis e já começam na infância, dando Barbies para as crianças. Sorte a dela ter os lábios da Angelina Jolie, pelo menos dentro da calcinha.

Sarah passou por uma fase muito dedicada à política, sendo uma dura crítica de Donald Trump. Eu imaginava que não seria um show no estilo que eu gosto, pois poderia falar apenas desses assuntos. Ao contrário, eles foram tocados de forma bem sutil, deixando tudo muito interessante.

Uma das passagens mais marcantes, que me deixou com aquele sorrisinho de canto ao notar a ironia ocorreu quando Sarah mencionou em uma outra piada situações delicadas de violência ocorrida nos ambientes familiares no passado. Ela faz um parênteses e diz “when America was great...”

Gostei ainda mais disso porque é uma sensação que eu tenho sempre quando vejo pessoas conservadoras argumentando. O mundo não era maravilhoso no passado e não está nada bom agora. As novas gerações precisam mudar algo, porque não está tudo bem.

Ela podia estar sempre na televisão, no cinema, na internet. Mas talvez seja bom assim, porque sempre dá um ânimo ver Sarah Silverman fazer comédia pesada sem sentir a necessidade de ofender ninguém.

Não é para todo mundo. Não é sensível e delicado. Mas é muito verdadeiro.

FDL

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O Dilema

o dilema

“Então assim que são os litígios, pensou Samantha. Talvez ela começasse a compreender. Essa era a onda, a euforia, o narcótico que levava os advogados de tribunal à beira da loucura. Essa era a emoção que Donovan procurava quando se recusou a fazer um acordo. Essa era a overdose de testosterona que inspirava homens como seu pai a correr o mundo procurando a quem processar”.

O Dilema – John Grisham

Não tem começo de ano sem ler mais um livro do John Grisham. Tá virando especial do Roberto Carlos.

O Dilema foi lançado no Brasil em 2015. O original chama-se Gray Mountain e é de 2014.

Esse livro conta a história de Samantha, uma jovem advogada com poucos anos de carreira que trabalha em um gigante escritório em New York, com uma função enfadonha de revisar contratos imobiliários.

No entanto, a crise dos imóveis pega sua empresa e, para não ser demitida, ela recebe uma proposta: trabalhar pro bono em uma ONG por um ano e não perder seus benefícios de empregada, com a possibilidade de a crise passar nesse tempo e ela recuperar seu emprego.

Com uma vida dedicada praticamente por completo ao escritório, Samantha fica sem chão e resolve conhecer a ONG, que fica na cidade de Brady, na Virgínia, região dos Apalaches.

A história do livro é essa transformação de Samantha, que conhece uma ONG apenas com advogadas mulheres que atendem gratuitamente a população pobre, que é massacrada por grandes corporações e um poder público omisso.

Além disso, Samantha conhece o advogado Donovan, que luta sozinho contra a exploração dos trabalhadores e do meio ambiente cometido pelas grandes empresas do carvão, que detonam tudo em busca de lucros.

A beleza da história está num acordar de Samantha para uma advocacia que faz sentido, que realmente traz a paz para quem precisa, mesmo que às custas de muito sofrimento e perigo.

Esse livro me lembrou um pouco um dos primeiros do John Grisham que eu li, O Advogado.

A história é interessante e o livro tem pouca barriga, com exceção de algumas longas passagens com informações específicas sobre a extração do carvão nos Apalaches.

Com certeza é mais uma homenagem de John Grisham à profissão do advogado, que pode ser muito odiado por alguns, mas tem sua função essencial em uma sociedade sadia.

A escrita de Grisham só melhora. Além disso, ele sabe explorar os perfis típicos de americanos, principalmente influenciados pela regionalidade. Isso faz a obra ficar mais rica.

Destaco um trecho interessante do livro, num diálogo entre duas mulheres, uma mais experiente e outra incipiente nos dramas da vida:

“Dizem que uma mulher se casa com um homem acreditando que pode muda-lo, e ela não consegue. Um homem se casa com uma mulher acreditando que ela não mudará, e ela muda. Nós mudamos.”

Recomendo esse livro. Não é o melhor nem o pior, mas demonstra uma fase inspirada do autor.

FDL

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Amanda Knox: Documentário

amanda knox

Eu ia começar o post sobre Amanda Knox com essa frase que está na imagem. É dita pela própria Amanda no começo do documentário. Ela é a síntese do que se trata esse caso e também reflete muito de casos criminais famosos, mas não pela perspectiva dos assassinos e vítimas, mas pela imagem de quem assiste e se interessa por essas histórias.

O Netflix tem investido nesses documentários sobre crimes reais. Recentemente comentei o caso de Making a Murderer. A HBO também fez sucesso com o extremamente perturbador The Jinx. Acabei demorando para ver Amanda Knox e me arrependi. Deveria ter visto isso antes.

O caso revela o assassinato da estudante britânica Meredith Kercher, aos 21 anos na Perúgia, Itália.

Meredith sofreu diversas facadas e ainda foi estuprada. Foram acusados Amanda Knox, estudante americana e colega de quarto da vítima, além do namorado de Amanda de poucos dias, Raffaele Solecito.

Polícia e imprensa atribuíram a Amanda todo o tipo de apelidos e afizeram acusações de algum tipo de perversão sexual e até satanismo. Provas disso não havia.

Amanda e Raffaele ficaram presos por alguns anos em um julgamento que teve vários twists carpados. Por fim, foram finalmente absolvidos pela corte suprema italiana.

Esse caso tem uma característica muito comum com outros que tiveram grande repercussão e dúvida sobre a verdadeira culpa dos acusados: investigações policiais problemáticas. No documentário fica clara a falta de preparo das autoridades na calma cidade italiana. Houve muitos erros e uma ânsia enorme para se prenderem os suspeitos, inflamados por pressões das autoridades e da mídia.

Senti também por parte das autoridades italianas no documentário um forte aspecto antiamericano. A imprensa deste país pressionou muito a Itália, alegando que Amanda Knox poderia ser inocente.

Ao final, percebemos que a polícia italiana colocou a suspeita em Amanda sobretudo por ela “não reagir como deveria”. A reação da jovem, que era de família abastada e criada com liberdade, talvez não fosse a esperada pelas autoridades.

Pela forma que o documentário foi feito, parece difícil crer que Amanda e Raffaele tenham sido culpados. Não que tenha havido uma conspiração ou algo do tipo, somente uma sucessão de cagadas por uma polícia pretensiosa, que primeiro decide o culpado, depois vai atrás de evidências para provar. Sempre deve acontecer o contrário.

Claro que é palpite. Muita gente crê que Amanda Knox é um tipo de reencarnação do demônio, o típico lobo em pele de cordeiro. Jamais saberemos, mas fiquei pouco inclinado a acreditar nisso.

É um excelente documentário, que passa em um segundo, com uma história impressionante e cheia de debates ricos sobre o comportamento humano e investigações criminais.

Mais um ponto para o Netflix.

FDL

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

The Night Of

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A última coisa que ando querendo fazer é começar a ver séries novas. Preciso terminar as velhas e pronto.

Acontece que a HBO veio com essa proposta que não tinha como deixar pra lá. HBO-GO novamente.

A série teve 08 intensos episódios que tratavam da seguinte história:

Nasir Khan, ou “Naz” é um estudante americano de origem paquistanesa. Tem educação rígida e aparentemente é um excelente filho e aluno. Quando recebe um convite para uma festa em Manhattan, Naz toma uma atitude impulsiva e pega o taxi de seu pai escondido.

A história se desdobra com o que acontece nessa noite: Naz conhece uma mulher, tem uma intensa noite de sexo e drogas com ela e sofre um apagão. Só que quando ele desperta, a mulher está morta e ele não sabe o que aconteceu, entrando em pânico e fugindo.

The Night Of tentou cuidar de mais de um assunto ao mesmo tempo, o que faz dela uma das séries mais complexas e tensas que eu vi ultimamente.

A primeira faceta da sociedade americana é como ela vê o imigrante, sobretudo o árabe. Eles são apontados na rua, sofrem violência e são moralmente agredidos diariamente. Não podem revidar, senão terão fama de agressivos.

Isso se reflete na seletividade do sistema criminal, já que a polícia toma esse grupo como alvo. É o que acontece com Naz.

A investigação policial e o cinismo e desprezo por parte de quem trabalha na Justiça são brilhantes nessa série.

Não parando por aí, The Night Of mostrou os efeitos do aprisionamento. Naz aguardou o julgamento preso no estabelecimento prisional conhecido como Rikers. Isso o transforma completamente, já que o ser humano precisa mudar para se adaptar.

Nisso destaco o personagem Freddy, o preso que manda na cadeia. Muito bem construído ele mostra vários lados do criminoso e do prisioneiro, sobretudo o lado humano, com forças, fraquezas, maldades e virtudes, ainda que em desequilíbrio.

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Boa parte da história explora a advocacia. Primeiro com o advogado de porta de cadeia Jack Stone, muito bem interpretado pelo ator John Turturro. Mostra a insegurança de um advogado de casos pequenos que por uma coincidência acaba se deparando com um julgamento famoso. Além disso, ele sofre de uma baixa auto-estima, que se reflete na doença alérgica que ele tem.

Acho que em alguns momentos a série foca demais em Jack Stone e com cenas repetitivas, mas tá valendo. A relação paralela dele com o caso dele com o gato, por quem ele se afeiçoou, mas tinha alergia, foi muito bem feita.

Uma curiosidade é que a série foi produzida pelo falecido ator James Gandolfini, que interpretaria o advogado, mas acabou morrendo antes.

Há também a falsa advogada boazinha e a novata que se entrega demais ao caso e acaba fazendo besteira. Confesso que foi uma parte que não gostei da série.

Em primeiro lugar a advogada high profile de escritório bacanudo foi interpretada de forma meio óbvia. Estava bem claro o que aconteceria depois.

Já a personagem Chandra não fez o mínimo sentido o que aconteceu no final. O comportamento dela simplesmente mudou para ela ser arruinada e haver espaço para o Stone fazer as alegações finais.

Com o fim vimos o fim da crise de consciência do policial e da promotora, cansados e calejados com o cotidiano da profissão. Ele se aposenta e ela calça tênis. Será que a vida real é assim?

Fato é que essa temporada começou muito bem e foi decaindo conforme avançava. Não foi uma decepção, mas também não me marcou muito não.

O final agridoce era o que se esperava, até mesmo pelos efeitos permanentes que a prisão temporária deixa, aliás, alegorizados pelas tatuagens, em lugares cada vez mais expostos conforme a história passava.

De todo jeito fica a recomendação.

FDL

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Making a Murderer

Making a Murderer 1A moda de documentar crimes reais realmente está bem forte nos EUA. Já comentei o podcast Serial e o especial da HBO The Jinx.

Agora foi a vez do Netflix entrar na bagaça.

O que é contado nesse documentário de 10 episódios é absurdo. Faz com que nós percamos a fé no ser humano (os que ainda tinham alguma).

Making a Murderer conta a história de Steven Avery. Após ter passado 18 anos preso por um crime que não cometeu, ele consegue a liberdade por conta de um exame de DNA que prova sua inocência. A história vira notícia e, quando está prestes a ganhar uma gigantesca indenização pelo Estado, Avery se torna o principal suspeito do assassinato da fotógrafa e jornalista Teresa Halbach.

É uma história de crime muito diferente. Porque sempre há um foco. Geralmente as atenções são voltadas para o criminoso, ou para a vítima e, em alguns casos, os advogados. Em Making a Murderer não, o protagonista é o Estado.

Steven Avery ficou anos preso por estupro e conseguiu provar sua inocência graças a uma prova de DNA. Já começa aí a prova de que o Estado passou por cima dele tanto com acusações sabidamente improcedentes quanto com impossibilidade de defesa.

Diante da vergonha para o Estado de um processo que indenizaria Steven, ele é preso, dessa vez acusado de homicídio. Parece conveniente. Ainda mais por terem sido os mesmos policiais.

O ponto é: um lado acusa o Estado de armar o caso para não ter a imagem abalada pelo erro judicial anterior. O outro lado diz que Steven nunca foi santo e talvez a cadeia tenha mexido com a cabeça dele, mas que era um assassino.

Making a Murderer 2

Esse documentário é um emaranhado de contradições, coincidências bizarras, maus policiais, famílias desestruturadas, enfim... cada um chega a uma conclusão sobre a culpa de Steven.

A minha conclusão é não saber, porque o Estado montou um caso extremamente falho e conduziu as investigações com clara perseguição. O intuito era punir Steven, não saber a verdade sobre Teresa. Isso também não quer dizer que ele não fez...

Nem vou falar daquele promotor, mais desqualificado do que qualquer outra coisa (e de voz irritante).

Gosto muito de ver trabalhos assim saindo. Retira muito o glamour que as pessoas pensam haver na justiça criminal, mesmo a norte-americana. Gosto também de quem tem coragem de questionar as instituições. Elas têm suas funções, mas são operadas por seres humanos e podem sim sair da curva.

O documentário é bem longo e cheio de detalhes, porque foi filmado praticamente tudo nos julgamentos e provas que aconteceram. O caso já era muito famoso nos EUA. Por isso, em alguns momentos é cansativo e repetitivo.

Mesmo assim eu recomendo a quem gostaria de conhecer um pouco mais da justiça criminal.

Só um detalhe final: eu ainda tenho nojo e decepção do que foi aquele interrogatório seguido de confissão de Brendan Dassey, aquele teste ao qual foi submetido também. Aceitar aquilo como prova é o retrato do cinismo de um sistema ou falho ou construído pra se livrar de quem incomoda.

FDL

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Em Defesa de Jacob – William Landay

Capa Em Defesa de Jacob V3 RB.ai“— Muito bem, Jacob, sua mãe tem razão. Talvez seja melhor mesmo pararmos aqui. Não quero incomodá-lo. Mas quero que reflita sobre uma coisa. Toda esta sua história pode ter parecido boa quando a contou dentro de sua cabeça, sozinho no seu quarto. Mas as coisas tendem a soar diferentes sob interrogatório. E juro a você que o que estamos fazendo aqui é moleza perto do que Neal Logiudice fará com você caso venha a depor. Eu estou do seu lado; Logiudice não. Sou também um cara legal; já Logiudice... bem, ele tem um trabalho a fazer. Agora, acho que o que está prestes a me contar é que, diante daquele corpo caído de bruços com sangue escorrendo de três ferimentos no peito, você de alguma maneira conseguiu enfiar o braço por baixo do corpo de modo que conseguisse deixar uma única impressão digital do polegar dentro do agasalho de Ben... mas, quando puxou o braço de volta, não havia nenhum vestígio de sangue nele, de forma que, quando apareceu na escola alguns minutos depois, ninguém pensou que houvesse nada de errado. Agora, se você fosse um jurado, o que pensaria desta história?”

William Landay

Já faz uns dois anos que eu vi esse livro numa livraria e me interessei muito pela sinopse.

O promotor Andy Barber é designado para investigar o assassinato do jovem Ben, de 14 anos. O que não desconfiava é que seu próprio filho, Jacob, acabaria se tornando o suspeito do crime. Além disso, o promotor Neal Logiudice vai cair matando no caso para roubar o lugar de Andy Barber como principal promotor da cidade, utilizando o julgamento como vitrine.

jacob2

O livro é cheio de nuances e detalhes. Realmente foi escrito com muito esmero e atenção. Só que é excessivamente longo e prolixo.

Há situações em que o autor se repete ou que enche páginas com informações de pouca ou nenhuma relevância.

Ainda assim, foi um bom livro de ler e o personagem Jacob é cheio de mistérios e dualidades que sempre caem bem em literatura.

A questão da hereditariedade nos instintos assassinos foi bem tratada, sobretudo sobre a nebulosidade que esse assunto tem.

O final foi muito bom, mas não é uma surpresa. O livro é todo construído para culminar em uma situação assim.

É um livro bastante violento e de uma psicologia agressiva. Gosto desse estilo.

Recomendo aos fãs do gênero.

FDL

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A Acusada

lucia de bFilme: A Acusada (Lucia de B)
Nota: 10
Elenco: a protagonista se chama Ariane Schluter
Ano: 2014
Direção: Paula van der Oest

 

 

 

 

 

Eu gostaria de saber por que eu assisto a esse tipo de filme. A vida tá fácil demais e eu preciso dar uma reduzida na felicidade? Certamente não!

A questão é que esse tipo de história chama a nossa atenção e o tema criminal me é muito caro.

Lucia de B (me recuso a falar esse nome traduzido e equivocado) é um filme sobre erro judiciário. Só que vai muito além disso.

Lucia é uma dedicada enfermeira em um hospital respeitado na Holanda. Todavia, suspeitas começam a recair sobre ela depois que algumas crianças morreram sob seus cuidados e tanto a direção do hospital quanto policiais e promotores caem matando em cima dela.

Depois disso já sabemos o que acontece, né? Notícias na mídia, os famosos “perfis pessoais”, buscas policiais na casa, prisões processuais como antecipação de pena e muita situação obscura nas investigações.

Ariane Schluter dá o plus que esse filme precisava. Ela mostra a Lucia fria e analítica que todos criticam, as também explora com muita sensibilidade a mulher destruída por um sistema construído não para fazer justiça, mas para punir como um rolo compressor. Há muita sensibilidade latente.

Não vou falar do final, mas é impressionante. A humanidade tem várias nuances e eu gosto muito de ver um filme que sabe se aprofundar.

Só vou ressaltar que esse tipo de obra mostra que o problema prisional e criminal não é exclusivamente brasileiro, estamos falando de Europa.

Filme que vai ficar marcado na minha memória por muito tempo.

Recomendo muito.

FDL

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

The Stanford Prison Experiment

stanford prisonFilme: The Stanford Prison Experiment
Nota: 10
Elenco: Ezra Miller (é o único que eu conheço, mas o filme já vale pela presença dele)
Ano: 2015
Direção: Kyle Patrick Alvarez

 

 

 

 

É um filme inspirado em fatos reais, em que o professor de Stanford Philip Zimbardo contrata diversos jovens e simula uma prisão dentro de salas da universidade. O objetivo do estudo é analisar os efeitos do encarceramento tanto nos presos quanto nos guardas. O problema é que a situação foge do controle rapidamente e o projeto tem que ser encerrado antes do tempo.

Antes de falar do assunto do filme em si, não dá para deixar de dizer que o Ezra Miller tem potencial para ser um dos melhores atores da geração dele e deixar sua marca no cinema. É impressionante a entrega e a capacidade desse ator de passar emoções por meio dos personagens, que sempre são desafiadores.

Quanto ao filme, foi excelente e o ano já começou bem. O ator Billy Crudup criou com perfeição um professor Zimbardo que vai se transformando ao longo do filme, inflamado pela relação de poder que se instaura no seu estudo.

Fora isso, nem que seja uma migalha do que é o encarceramento de verdade, vale trazer esse mundo paralelo para a realidade. As pessoas preferem fingir que não existe aquilo tudo, que são seres humanos lá dentro. Um filme como esse mostra como a percepção de mundo muda conforme nossa liberdade é restrita.

Todos os atores são excelentes e não faltou nada.

Eu preciso também destacar um personagem que me deixou muito intrigado: Jesse Fletcher, muito bem interpretado pelo ator Nelsan Ellis.

Esse personagem é chamado como espécie de consultor por Zimbardo porque já esteve preso. Não há muitos detalhes sobre o que fez, como foi sua prisão e o que fazia agora, mas a relação dele com a história é preciosa.

Em determinado momento, eles simulam uma audiência para decidir se os supostos presos podem ou não conseguir livramento condicional. Fletcher faz parte como um dos conselheiros que deliberam sobre isso. Nesse momento ele despeja uma porção de preconceitos, frases feitas, distorções e humilhações nos presos.

O momento que me conquistou nesse filme veio logo depois: ele pede pra sair. Diz que fez com os jovens o que foi feito com ele enquanto preso, para dar mais realidade à experiência do encarceramento. O problema é que gostou da troca de papéis e se tornou o lado que odiava com facilidade.

É bem a situação em que o menino é o pai do homem em Brás Cubas, quando o escravo já livre chicoteia os outros repetindo os mesmos xingamentos que ouvia quando não era livre. Parece que a diferença entre o bom e o mau é uma questão apenas de oportunidade. Sorte de Fletcher que percebeu a armadilha e caiu fora.

Cada cena tem uma reflexão interessante e esse filme é obrigatório a todos, sobretudo a quem se interessa pelo tema criminal.

FDL

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

The Jinx: The Life and Deaths of Robert Durst

the jinx

Mais uma indicação de Lica e Renatinha. É praticamente um segundo round de Serial. Você se apega em conhecer casos reais de crimes violentos e não para mais.

Trata-se de um documentário de 06 episódios exibido pela HBO e disponível na HBO-GO. Há um site também criado por eles com diversas informações multimídia: http://www.thejinxhbo.com/

A história desse documentário é enorme e eu vou tentar ser o mais resumido possível, pois cansa digitar demais.

Robert Durst é de uma família milionária de New York, envolvida no ramo imobiliário. Desde os anos 70 o nome deste homem está envolvido em alguns desaparecimentos, homicídios e crimes do tipo. Todavia, com bons advogados e muito dinheiro em volta para ajuda-lo, embora tenha sido preso algumas vezes por breves períodos de tempo, Robert Durst nunca foi condenado.

Andrew Jarecki é um cineasta americano que produziu e dirigiu o filme Entre Segredos e Mentiras (All Good Things) inspirado no caso de Robert Durst. O filme causou impacto na mídia e o inesperado aconteceu: o próprio Robert Durst, que nunca se manifestara sobre as acusações que recaíam sobre ele procurou Andrew para conceder uma entrevista e mostrar os fatos sob sua perspectiva.

O documentário trata exatamente disso, das entrevistas dadas por Durst a Jarecki, sendo que na produção do seriado o diretor recontou toda a história do entrevistado, conversando com pessoas da época, mostrando fotos, enfim, revisitando o caso todo e confrontando com Durst o ocorrido.

Robert Durst fora suspeito do desaparecimento de sua esposa Kathie, em 1982. Ele nunca foi formalmente acusado, muito embora tudo aponte para ele. Ela nunca foi encontrada até hoje e nada se sabe sobre o que ocorreu com ela.

Posteriormente, em 2000, uma grande amiga de Durst fora assassinada na véspera de natal. Susan Berman era seu braço direito no tempo do desaparecimento de Kathie. Dias antes da morte de Susan as investigações contra Durst tinham sido reabertas. Muito embora não pudesse ter sido provado, a suspeita era a de que ele a matou porque ela sabia demais.

Após isso, Durst viveu um tempo como fugitivo, até que o corpo do Sr. Morris Black foi encontrado esquartejado na Baía de Galveston em 2001. Após investigações foi descoberto que Black era vizinho de Durst e tomou conhecimento tanto de sua fortuna quanto da sua situação de foragido.

Em um julgamento impressionante, em 2003, Durst foi absolvido sob a alegação de legítima defesa, alegando que esquartejou o corpo de Black depois por medo de ser descoberto.

Depois desse tempo todo, com o filme, Durst de alguma forma não ficou satisfeito com sua situação e a mim pareceu que quis testar o cineasta nas entrevistas.

Não vou spoilar demais, mas durante a pesquisa do documentário Jarecki encontrou coisas novas e o último episódio é de arrepiar a espinha. Maldade existe, não há discussão.

Robert Durst é uma figura pavorosa. Enquanto ele fala, cheio de tiques nervosos, você observa um cérebro maquinando manipulações e maldades. Esse seriado é uma lição para todos nós.

Com certeza, ainda mais depois de The Jinx, a história de Durst ainda não foi completamente encerrada e agora há mais uma pessoa acompanhando torcendo para que algumas perguntas sejam respondidas.

Recomendo, porque nenhum roteirista de Criminal Minds jamais conseguirá escrever algo assim. A realidade do homem é fascinante: impressiona e amedronta.

FDL

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O Juiz

the judgeFilme: O Juiz (The Judge)
Nota: 9
Elenco: Robert Downey Jr., Robert Duvall, Vera Farmiga, Billy Bob Thornton, Leighton Meester
Ano: 2014
Diração: David Dobkin

 

 

 

 

Esse filme me surpreendeu demais. A presença do Robert Downey Jr. Me levou a crer que seria um filme de tribunal com algumas sacadas irônicas. Como eu já estou de saco cheio de humor pretensioso, acabei deixando pra depois.

Ainda bem que resolvi assistir mesmo assim. Não é nada disso.

Trata-se muito mais do que uma história de tribunal, é um drama familiar com personagens muito bem construídos e alguns deles inspiradores, na verdade.

O Robert Downey Jr. continua com aquele estilo dele, mas está mais leve e o foco é na relação dele com o pai e todas as mágoas que ficaram desde a infância com relação a um homem duro e rígido, mas que seguiu sua intenção de fazer o certo.

Não vou me estender na sinopse, mas digo que vale muito a pena assistir, do começo ao fim.

Não entendi a presença da Leighton Meester nesse filme nem a utilidade dessa personagem que ela fez. Ficou completamente atravessado, mas tudo bem.

Recomendo bastante.

FDL

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Serial Podcast

Serial

Isso foi realmente surpreendente e mais uma prova de que a internet e a era digital são incríveis.

Recebi a indicação de amigos da Renatinha e da Lica sobre um podcast chamado Serial, que tratava de um crime real e era um sucesso nos Estados Unidos.

Eis do que se trata:

Sarah Koenig é uma jornalista americana e acabou se deparando com um caso de homicídio ocorrido em 1999 em Baltimore. Amigos e parentes do condenado não se conformam com a sentença e dizem que o processo foi cheio de furos e que ele é inocente.

A jornalista se interessa pelo caso e passa a investigar de forma independente o que ocorreu, se poderia ter havido um erro judiciário. Só que o caso tem tantos desdobramentos e situações peculiares que ela transformou toda a investigação em um seriado de 12 episódios na forma de podcast.

Durante os áudios há narrações de Sarah, diálogos com os envolvidos, utilização de áudios da época, e muitas digressões.

O caso é o do assassinato da estudante de 18 anos Hae Min Lee, que desapareceu logo após sair da escola em Baltimore, tendo seu corpo sido encontrado dias depois em um parque na cidade. O condenado pela morte foi Adnan Syed, também estudante e ex-namorado da garota.

Sarah faz uma investigação meticulosa sobre tudo o que aconteceu, conversando com testemunhas (várias se deixaram gravar para o podcast), fazendo reconstituições, procurando novos documentos e versões sobre o ocorrido.

O caso é extremamente complexo e tem várias nuances. Eu passaria dias aqui fazendo comentários e dando pitacos.

Essa polêmica toda transformou esse podcast num sucesso, com milhões de ouvintes por episódio.

O que eu mais gostei foi da tentativa de imparcialidade de Sarah. Ela resolveu mexer em tudo de cabeça limpa, sem pré-julgar Adnan, mas tampouco sem defende-lo. A conclusão a que ela chega no final não digo.

O podcast é muito bem produzido, com uma evolução envolvente, trilha sonora incidental e vários fatores sedutores.

Melhor que tudo isso são as digressões dos envolvidos, porque trazem discussões extremamente relevantes ao sistema penal tanto americano quanto mundial. Há sim preconceitos, pressões, falta de transparência, desrespeito às garantias fundamentais.

O podcast foi tão relevante que as novas evidências deram uma chance de reexame do caso de Adnan nas cortes norte-americanas.

Infelizmente não há no momento nenhuma tradução para o português, então precisamos usar todo o nosso inglês profissional aprendido na Escola Friends de Idiomas. Há transcrições que ajudam também os que não possuem o ouvido tão afiado.

Segue o link: http://serialpodcast.org/

Já foi prometida uma segunda temporada, com outra história, que deveria ter estreado esse ano, mas logo sai.

Claro que não posso deixar de registrar aqui uma frustração minha: o SNL já tinha feito esquete sobre Serial e eu acabei não entendendo. Só agora fui atrás e vi de novo, compreendendo como o elenco do SNL é genial.

FDL

domingo, 1 de março de 2015

Sniper Americano

american sniperFilme: Sniper Americano (American Sniper)
Nota: 9
Elenco: Bradley Cooper
Ano: 2014
Direção: Clint Eastwood

 

 

 

 

 

Eu gostava muito dos filmes do Clint. Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos.

Lembro também do ano de 2003, quando ele humilhou com Sobre Meninos e Lobos, uma obra densa e cheia de nuances sobre o comportamento humano.

O negócio é que depois ele descambou pro lado da guerra, que eu odeio. Não gosto de falar de guerra, não gosto de assuntos de guerra, filmes de guerra, nada disso. Acho chato e completamente irracional. Acabei desanimando de ver filmes dele.

Acontece que se tem um diretor que já me fez acompanhar um filme sobre um assunto que eu não gosto e mesmo assim achar o filme excelente, foi o Clint Eastwood, com Menina de Ouro.

Nesse ano, com American Sniper, li críticas ao trabalho dele e do Bradley Cooper e gostei da possível visão que seria dada à guerra nesse caso.

Esse filme é inspirado na história real do atirador das forças armadas americanas Chris Kyle, que atuou nas guerras americanas no período pós 11 de setembro. O homem era um atirador exímio e foi um dos mais letais nas estatísticas.

A obra se desenvolve mostrando muito os reflexos dessa profissão de Chris Kyle, tanto nos seus conflitos internos quanto na sua relação com sua família e seu lugar na sociedade quando ele volta.

Sniper Americano poderia ter sido mais um filme de enaltecimento desses chamados heróis que dão a vida pelo país, reforçando toda essa doutrina americana de justificação das guerras. Em alguns momentos é. Mas tem um lado crítico que faz valer o filme.

Chris fica atormentado pelos fantasmas da guerra e se afasta mentalmente do mundo e da família. Além disso, ele percebe que a guerra vai o consumindo.

O final do filme poderia ter explorado um sensacionalismo bem com a cara das grandes obras americanas. Mas preferiu ser mais sutil. Ponto para Clint.

Vale registrar que esse filme foi um dos únicos do Oscar desse ano que teve faturamento alto de bilheteria. O resto era produção independente e não faturou alto.

A atuação do Bradley Cooper esteve boa. Mas não sei por qual motivo eu nunca acho que ele atuou de forma digna de uma indicação, mas quem sou eu? Mesmo assim eu gosto dele.

No final foi um bom filme, extremamente bem feito, que retratou uma triste realidade do nosso mundo e que ainda trouxe algumas reflexões.

Recomendo.

FDL