quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Ultimate Beastmaster

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Depois de ficar órfão do reality Exathlon Brasil, fiquei sabendo que no ano passado a Netflix exibiu essa competição e me pareceu bom dar uma chance.

Resultado? Vi a temporada inteira em poucos dias.

Ultimate Beastmaster é uma competição de força e habilidade, na qual participantes devem enfrentar um circuito chamado de A Besta. Há diversos obstáculos que imitam órgãos internos do animal e se o cara sofrer uma queda, cai fora.

Além disso, é uma competição entre países. Em cada episódio 06 países levam dois competidores e apenas um deles vence. Ao final de 09 episódios, todos os campeões se enfrentam e o grande campeão conquista seu título.

É legal também que há 06 cabines de apresentadores que além de fazerem esse trabalho, torcem pelos seus países. O Brasil foi representado pelo Anderson Silva e o Rafinha Bastos.

Eu sempre achei ele engraçado e a química dele com o Anderson foi muito boa. O programa além de tudo é engraçado.

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Ao final, um brasileiro foi o grande campeão, o que me deixou surpreso, porque, no geral, a galera do Brasil não estava indo muito bem não.

Já foi exibida a segunda temporada, com outros países. O Anderson e o Rafinha continuaram narrando para a versão brasileira, mas acabei assistindo só ao primeiro e perdi o interesse por não ter brasileiros.

Eles avisaram que na próxima temporada o Brasil volta. Aí vejo de novo. Gostei muito! Recomendo.

FDL

domingo, 14 de janeiro de 2018

A Vida Secreta dos Casais

a vida secreta dos casaisNo final do ano passado logo que assinei o pacote da HBO de forma definitiva, era essa série o destaque de futura estreia. Achei que seria uma boa dar uma chance, porque até hoje, em tudo que vi feito pela família da Bruna Lombardi, com erros ou acertos, eles saíram do lugar-comum.

Certamente foi o que houve nessa série.

Em A Vida Secreta dos Casais, Sofia (Bruna Lombardi) é uma terapeuta sexual em um instituto chamado Tantra, que tem novos métodos para livrar as pessoas de seus traumas sexuais. Há aulas práticas e diversos métodos diferenciados.

O problema é que apesar desse clima de paz e sabedoria, Sofia acaba se envolvendo em um assassinato que tem uma trama cabeluda por trás, envolvendo banqueiros, políticos, cyber espionagem e muita, mas muita enrolação.

A série tem diversos personagens, vários estereotipados: a filha da família que não aguenta a hipocrisia, a hacker de capuz, o detetive inteligente com problemas familiares, a melhor amiga intrometida, enfim...

Fato é que a série se divide em duas. A primeira é o instituto, com várias discussões sobre tabus sexuais, como no caso do menino trans, ou do padre gay em conflito com sua sexualidade, ou da mulher viciada em sexo, do homem com duas esposas. Ali o texto foi bom e a história interessante.

Na trama política ficou claro o amadorismo e em alguns momentos a inverossimilhança chega a dar dó. Os diálogos do banqueiro interpretado pelo Paulo Gorgulho são tristes. No meio do diálogo ele solta pérolas do tipo: “Já reparou que o ser humano é o único animal que mostra os dentes como forma de conquista?”. Ou “o poder não transforma, o poder revela”.

Obviamente os roteiristas retiraram essas frases de alguma leitura e enfiaram no meio de diálogos para dar o ar desejado.

Além disso, o final sem respostas estava telegrafado. Mas assisti até o final para me certificar.

Não dá para dizer que é de todo ruim. Até porque, a produção reuniu bons atores e até teria potencial, mas simplesmente essa trama de suspense não me agradou.

Pelo final aberto, a expectativa é de mais temporadas, mas não sei como será. Não sei também se verei.

FDL

sábado, 13 de janeiro de 2018

Os Contos de Edgar Allan Patoe

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Depois de ter lido no ano passado o encadernado de gibis de Maga & Min, o vírus dos gibis e hq de fato me pegou.

Comecei lendo pelo Go Read antes de assinar, mas isso é outro papo. Fato é que, por coincidência, logo depois de terminar esse post anterior sobre o livro de contos do Edgar Allan Poe, me deparo com a capa de Tio Patinhas de algumas edições anteriores falando exatamente disso.

Acabei indo atrás e descobri que a capa do gibi tem uma história que é continuação de outra de 2016. Claro que tive de ler.

patoe3A primeira coisa que salta aos olhos é como esses gibis são menos infantilizados hoje em dia. Claro que em muitos há a obsessão por super-heróis atual, mas em vários há histórias envolvendo até crimes e detetives.

Nessas duas histórias, que, por sinal, são longas e isso é algo bom, há diversas referências a contos que eu havia acabado de ler, principalmente com relação ao Detetive Dupin. Mas mesmo assim, podemos ver de forma sutil O Poço e o Pêndulo, o Gato Preto e outros.

Gostei muito das histórias e certamente esses dois gibis foram responsáveis pelo meu novo hábito de leitura. Se vai durar, sei lá.

FDL

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Edgar Allan Poe: Medo Clássico

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“- Decerto! Que vá para o inferno e que o diabo o carregue. Porém, conta-se que um certo sujeito rico e avarento colocou na cabeça que se aproveitaria de Albernethy, obtendo uma opinião médica sem precisar pagar a consulta. Forjando, com esse propósito, uma conversa casual quando estavam a sós, ele insinuou seu caso ao médico fingindo se tratar da doença de um indivíduo imaginário.

‘Suponhamos’, disse o avarento, ‘ que os sintomas deles sejam tais e tais. O que o doutor aconselha?’

‘O que aconselho?, respondeu Abernethy. ‘Bem, aconselho a procurar ajuda médica’

- Mas – disse o comissário, um tanto sem jeito – não estou me recusando a procurar ajuda e a pagar por isso. Eu realmente daria os cinquenta mil francos para quem me ajudasse na questão.

- Nesse caso, respondeu Dupin, abrindo uma gaveta e tirando um talão de cheques – você já pode me fazer um cheque no valor citado. Assim que o assinar, eu lhe entrego a carta.”

Edgar Allan Poe – A Carta Roubada

Retomando a leitura de contos, comecei no Halloween do ano passado a ler essa obra de compilação de contos do Edgar Allan Poe, lançada pela Darkside. A ideia era terminar em novembro mesmo. Bom...

O importante é que consegui conhecer a obra de Poe, já que eu tinha muita curiosidade, mas nunca realmente tinha me disposto a levantar e conhecer mais. Ainda bem que essa hora chegou.

O livro é dividido por temas e cada um deles tem contos relacionados: Espectro da Morte, Narradores Homicidas, Detetive Dupin, Mulheres Etéreas, Ímpeto Aventureiro e O Corvo.

São três contos em Espectro da Morte: O Poço e o Pêndulo, A queda da casa de Usher e O baile da Morte Vermelha.

O Poço e o Pêndulo

O livro já começa com um dos melhores contos do autor, também dos mais famosos.

A curta história mostra um protagonista sofrendo uma forte tortura psicológica. O interessante é que o Poe tem um estilo poético na prosa e o leitor se sente torturado também, porque apenas pela descrição do local e das sensações do personagem, temos a noção genuína do terror.

Há poucas informações históricas, apenas que se trata do período da Inquisição.

Entre várias torturas, o homem está em um local fechado e totalmente escuro, com um poço maroto disponível e não sabido, pronto para engoli-lo enquanto ele explorava o local.

Mas o mais tenso mesmo é um pêndulo, porque em um momento ele fica amarrado em uma cama enquanto vagarosamente (dias) um pêndulo ao teto com lâmina afiada vai fazendo seu movimento e cada vez mais se aproximando dele.

É o legítimo terror, com ratos, fundo de poço, claustrofobia, cegueira, enfim, sensações intensas de medo.

O Poço e o Pêndulo mostra que mesmo diante de situações tão adversas, alguma saída criativa pode acontecer.

A Queda da Casa de Usher

O conto é chato, longo e de linguagem monótona.

Nele, o narrador visita seu amigo Usher, em sua casa, que parece um castelo. Não se vêem há muitos anos e estranhou o convite, mas aceita ir.

Usher é cheio de manias e depressões, mas o narrador tenta animá-lo contando histórias, mesmo que detalhes da mansão o incomodem, sem saber explicar o motivo.

Ocorre que a irmã de Usher morre e este convence o narrador a deixa-la por uns dias no túmulo da família até ser enterrada. Porém, durante esse tempo, a casa tem barulhos estranhos e um clima esquisito do lado de fora.

Cada vez mais perturbado, Usher pede para que o autor lhe conte mais uma história. No meio dela, a irmã aparece e abre a porta, evidenciando que havia sido enterrada viva. Se joga sobre o irmão e eles parecem cair mortos. O autor sai correndo.

Esse conto é como um próprio pêndulo do conto anterior: varia entre loucura e paranormalidade de tempo em tempo.

Agora, apesar de ser chato e longo, a história realmente aterroriza, porque as descrições bem ao estilo gótico do autor são bem sombrias.

Ainda vale.

O Baile da Morte Vermelha

Neste conto, bem curtinho, há o personagem da morte, que é personificada numa bizarra figura humana, que depois se revela como um nada embaixo das vestes.

Bem, em O Baile da Morte Vermelha, a população de um local está sendo morta por uma peste conhecida como morte vermelha. A pessoa que tocasse alguém doente morreria em trinta minutos.

O príncipe, sabendo disso, foge para longe, em um castelo com sete salões e se isola, com sua nobreza.

Na história ele dá uma festa de máscaras e de tempo em tempo se faz o silêncio para observar se alguém teria sido vitimado, até que em dado momento uma figura mascarada invade o local e há uma perseguição por todos os salões.

Chegando no último salão, quando enfrenta o invasor, o príncipe cai morto e os nobres observam que sob as vestes do inimigo não havia nada, tratava-se da Morte Vermelha em si. Logo em seguida, todos morrem, um a um.

É bem interessante o autor utilizar esse tom sombrio e essas figuras góticas, que são tão famosas, para criticar aqueles que se acham melhores que os outros e abusam de privilégios. Ainda mais aqueles que quando devem proteger sua população, fogem para proteger a própria pele.

Excelente conto. Reli umas duas vezes, porque muita coisa se pega numa releitura.

...

São três contos em Narradores Homicidas: O Gato Preto, O barril de amontilhado e O Coração delator

O Gato Preto

Esses contos são mais nebulosos e sombrios que os outros, sobretudo porque há uma forte violência nos narradores.

Em O Gato Preto, o narrador arranca o olho de seu gato, Plutão. No mesmo dia há um incêndio em sua casa e ele perde tudo. Ele percebe diversos sinais do gato nos escombros.

Há uma sensação de punição por ter torturado o animal.

Ocorre que em um novo apartamento, ele e sua esposa adquirem outro gato, mas quando nota um novo sinal, resolve mata-lo. Porém, sua esposa o interrompe, causando ódio e o personagem a mata com machadada.

Para se livrar do corpo, ele a empareda. Fica mais aliviado quando o gato desaparece.

O problema é que a Polícia chega para investigar e quando já estão indo embora, querendo se garantir, o protagonista bate na parede para mostrar que é forte. Há um ruído que chama a atenção.

Quando a parede é derrubada, está lá o corpo e, na cabeça da mulher, o gato desaparecido.

Esse conto mostra de forma macabra o castigo que há na tortura e violência contra o animal inocente. O gato é um animal cheio de misticismo por conta do seu jeito ensimesmado, então é o animal perfeito para no campo onírico punir o humano sádico.

O Barril de Amontillado

Neste curto conto, há um personagem protagonista sem nome que conta em detalhes uma armadilha que cometeu contra um homem chamado Fortunado.

Ele o atrai para seu castelo sob a promessa de mostrar o barril de bebida e o engana, até leva-lo a um local subterrâneo e enterra-lo sob as pedras.

É um narrador psicopata e conforme o texto passa, você vai entrando nesse clima em uma narração de enganação para a morte como se fosse algo muito simples.

O Coração Delator

Este conto mostra um homem narrando que havia invadido uma casa e matado um homem velho, que tinha um olho que o incomodava. Após parar de ouvir os batimentos de seu coração, o esquarteja e enterra sob as vigas.

Só um adendo sobre a recorrência do tema olhos e enterros nos contos de Poe, não somente os de narradores assassinos.

Quando a Polícia o interroga, aparentemente sem saber o que houve, o homem passa a ouvir novamente as batidas do coração do velho e em alguma sensação que pode ser terror ou culpa, acaba por confessar.

Essa história, apesar de curta, é bem tensa e os momentos finais são bem perturbadores.

...

São três contos sobre o Detetive Dupin: Os Assassinatos na rua Morgue, O mistério de Marie Rogêt e A Carta Roubada.

Os Assassinatos na rua Morgue

Os contos são publicados nesse livro em forma cronológica e possuem relação.

No primeiro, temos um protagonista que narra seu contato com o detetive Dupin, pessoa esquisita (tal qual o próprio narrador), mas muito inteligente e analítica.

Dupin é chamado pela polícia para ajudar na investigação sobre a morte de duas mulheres residentes na rua Morgue. O crime foi extremamente violento, inclusive com uma delas em uma chaminé.

Os jornais mostram suspeitos e fazem diversas investigações e conclusões sobre o ocorrido.

A técnica de Duplin é uma excelente dica para os dias de hoje: ele simplesmente lê as notícias de maneira crítica, sem simplesmente engolir tudo que publicam.

Para isso, mostrando a conclusão em diálogos com o narrador, Dupin revela que foi cometido o erro de confundir o “insólito com o incógnito”. Quer dizer que às vezes a solução não é uma novidade, mas uma análise fria do que já se conhece.

A solução do mistério é bem inteligente e Dupin utiliza o próprio jornal, em uma notícia que aparentemente não teria conexão, para verificar uma e entender o ocorrido. Com isso, evita-se que um inocente seja condenado.

Observando textos pela internet, muito se fala que a dupla é o primeiro caso de detetives da literatura, que deram espaço a Sherlock Holmes e Poirot.

O conto de fato é muito bom e inteligente, mas falta o brilhantismo dos autores das obras seguintes. Acredito que o forte da obra de Poe realmente esteja nos outros contos, sobretudo os mais sombrios e de terror.

O Mistério de Marie Rogêt

Sem dúvida é o mais fraco de todos os contos. Mas ele tem suas qualidades a meu ver.

Dupin investiga um famoso caso que paralisou Paris. A jovem Marie Rogêt foi encontrada morta boiando no Rio Sena. O problema é que a polícia tem muitas dificuldades em identificar o assassino.

O detetive utiliza novamente as notícias de jornal para chegar às próprias conclusões sobre o ocorrido e chega a uma diferente resposta de quem a teria matado.

A polícia primeiro suspeita do noivo de Rogêt, mas esse se mata. Após isso, desconfia-se que ela fora vítima de uma quadrilha, fato que é afastado por Dupin, que crê em um assassinato cometido por um amante marinheiro.

A resposta efetiva não é dada. Embora Dupin afirme saber a resolução do caso, Poe não mostra no conto se a hipótese realmente é confirmada.

Interessante notar que o conto é uma forma literária de Poe mostrar que resolveu um assassinato real ocorrido em New York no período. Sabe-se, inclusive, que ele enviou o texto a jornais revelando saber quem matou a jovem americana.

O conto apenas troca nomes e locais para a solução. Por isso, esse conto é um misto de narração, investigação e muita filosofia sobre interpretação de fatos e investigação forense.

Por isso, em alguns momentos é extremamente maçante, porque são parágrafos gigantes de teorias do autor sobre a investigação. Não é ruim, mas falta adicionar algo que atraia o leitor.

Talvez haja crítica de que o leitor atual não seja capaz de gostar dessa linguagem não mastigada de autores mais antigos. Verdade, por isso que nem questiono a qualidade, apenas digo que é chato.

De todo modo, o próximo conto foi bem melhor.

A Carta Roubada

Poe encerra os contos do detetive Dupin com o conto A Carta Roubada.

Com o sucesso de Dupin nos casos anteriores, o comissário monsieur G. o procura novamente, pedindo ajuda em um caso novo.

Uma carta fora roubada de uma pessoa importante do governo, pelo ministro D. e, com isso, ele passou a fazer chantagem, criando problemas políticos insustentáveis. Sendo assim, a recuperação dessa carta era necessária para acabar com o crime.

Nesse caso, achei muito mais interessante a postura de Dupin, que não só recuperou a carta, como deu uma bela lição de moral no comissário.

Quero destacar o trecho em que ele fala sobre o médico que não se deixou explorar, é o que está na epígrafe deste post.

Ah, como isso serviria para afastar alguns “amigos”, não é mesmo?

Fora isso, mesmo sendo o conto mais curto dos três, é justamente nele que Poe faz outra dura crítica à polícia e ainda faz de forma magistral.

Poe aconselha o comissário a retornar à residência do ministro e procurar novamente, mas, dessa vez, utilizando um pensamento do mais óbvio com relação a como ele pensaria. Ele sugere que não adianta padronizar técnicas investigativas se o ser humano tem diversos tipos de comportamentos, inteligência e interesses.

O comissário nega e diz que já havia sido feito no local o que poderia ser feito. Daí então, Dupin lança mão da analogia ao conto do Procusto, da mitologia grega.

Uma nota de rodapé explica o conto, que confesso não conhecia até então. Trata-se de um bandido que oferecia estadia para as pessoas na sua casa. Nela ele tinha uma cama de ferro do seu próprio tamanho.

Se a visita era pequena para a cama, ele a esticava. Se era muito grande, cortava seus membros. É uma referência à intolerância do homem, que quer exigir de todos que se enquadrem nos seus padrões.

Utilizando essas lições, Dupin consegue enganar o ministro e recupera a carta.

...

Fazendo um balanço dos três contos, verificamos a qualidade do texto do Poe e sua preocupação em ser claro com seus personagens em criticar os problemas do homem de sua época.

Claro que os romances policiais vindos depois acabaram por evoluir a técnica narrativa desse tipo de história, mas é muito interessante conhecer a gênese desse tipo de literatura que eu gosto tanto.

Com isso, chego na metade do livro e no momento me dedicarei a contos de outros autores, para muito em breve retornar e concluir os contos de Poe.

Mas certamente o Poço e o Pêndulo ficarão por muito tempo no meu pensamento.

FDL

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Dunkirk

dunkirkFilme: Dunkirk
Nota: 8,5
Elenco: Tom Hardy (praticamente o filme todo de capacete), Kenneth Branagh, James D'Arcy, Cillian Murphy, Harry Styles (sim, o do grupo do Nissim Ourfali)
Ano: 2017
Direção: Christopher Nolan (também escreveu)

O Nolan não é meu diretor preferido, sei lá eu por qual motivo, mas quando vi a indicação de Dunkirk na temporada de prêmios e soube que tratava-se de uma batalha ocorrida durante a Segunda Guerra, resolvi ver, mesmo fugindo do meu estilo de filme.

No final, foi uma agradável surpresa Dunkirk.

As atuações foram muito boas, sobretudo em uma história com poucos diálogos e muita ação, muito olhar de medo, raiva e ansiedade. O elenco todo na minha opinião está de parabéns, até mesmo o novato Harry Styles, que soube aproveitar a chance ganha.

Dunkirk tem cenas fortes de ação de guerra em aviões, navios, submarinos, terra, enfim, mostra muito da complexidade do que foi aquela guerra horrível.

A história não entra muito em debates ideológicos do conflito e mostra mais a relação humana das pessoas durante a situação extrema de vida ou morte, ininterrupta e longa.

Gostei muito e fiquei muito tenso.

Valeu a escolha.

FDL

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Lady Bird: É Hora de Voar

lady birdFilme: Lady Bird: É Hora de Voar (Lady Bird)
Nota: 9,5
Elenco: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf (a.k.a. mãe do Sheldon)
Ano: 2017
Direção: Greta Gerwig (também escreveu)

A temporada de prêmios sempre traz boas opções de filmes. Muitas vezes são histórias que não me chamariam a atenção pela sinopse ou nomes envolvidos, mas que acabo vendo pelo destaque que recebem da crítica. Nem sempre eu gosto, mas dificilmente não possuem boas qualidades.

Com Lady Bird não foi diferente. Já tinha visto Brooklyn com a Saoirse Ronan (graças a deus que não preciso falar o nome dela!) e tinha gostado muito da atuação. Achei legal a mãe do Sheldon aparecer no cinema também. Aliás, ambas estiveram excelentes nas cenas de um relacionamento tenso de mãe e filha.

Tal qual Brooklyn, Lady Bird não investiu em uma história com reviravoltas ou acontecimentos relevantes. A foco nesse filme é o desenvolvimento interno dos personagens. E faz isso muito bem.

Lady Bird é um nome auto escolhido pela inquieta adolescente Christine, que está no Ensino Médio de uma escola católica. Como acontece com todos os jovens, Lady Bird sofre para descobrir quem é, o que quer e o que a faz feliz.

Nessa busca, Lady Bird tem lições sobre namorados, amigos, professores, escolhas e relação com a família.

Não há muito o que dizer sobre a história, apenas que em diversos momentos nós nos relacionamos em algum ponto com alguém da família ou alguma situação enfrentada por eles.

É um filme que segue muito bem a ideia de que menos é mais, desde que feito com vontade e verdade.

Recomendo muito esse filme. Começamos o ano muito bem.

Ainda não saíram as indicações ao Oscar, mas aposto em algumas para Lady Bird.

FDL

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Dark – 1ª Temporada

dark_5-750x380Puta série esquisita, mano!

Resolvi ver agora nesse comecinho de ano e, por menos que eu entendesse, por mais que eles me confundissem, mais eu queria saber o que aconteceria. Bizarro isso.

A série é da Netflix, com produção alemã, inclusive falada em alemão.

A história envolve o desaparecimento de crianças, tecnologia nuclear, viagem no tempo e teorias a respeito de buracos negros.

Tudo isso me espantaria na hora, mas por algum motivo resolvi dar uma chance. Aliás, vivendo e mudando. Ano passado mesmo eu já li o livro Matéria Escura e acabei gostando.

A série não é isso tudo. Acaba sendo muito confusa e eu realmente acredito que quando os enredos são muito complexos, confusos e criam mais mistérios do que resolvem, é uma tática para disfarçar suas falhas.

Não me empolguei muito em ficar buscando inconsistências ou explicações mirabolantes implícitas. Simplesmente acho que a série não merece tanta dedicação. Mas no final não tem como dizer que é ruim.

Os atores estavam muito bem e em muitos momentos aprofunda-se uma discussão ética a respeito da violência e valores que não mudam mesmo com alteração de tempo. Isso, somando-se aos crimes, fazem com que a série seja uma boa opção.

Vamos ver se vou ter saco para a próxima temporada.

FDL

Top 10 2017: Séries

Em 2017 eu acabei vendo bem menos séries do que eu fazia antes. Os interesses vão mudando. Logo logo eu volto a ver mais.

Isso não quer dizer que a qualidade tenha sido ruim. Ao contrário. Eu acho que vivemos num dos melhores momentos da televisão, seja ela a cabo, streaming ou alguma coisa que já tenham inventado enquanto eu escrevo por aqui.

Partiu.

1 – Big Little Lies

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David E. Kelley, um puta elenco, um livro excelente e HBO só poderiam dar a série do ano. Os prêmios levados foram justos.

Vai ter nova temporada. Acho perigoso.

Recomendo que qualquer participante do ano de 2017 veja essa série.

2 – House Of Cards

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A série ainda que tenha se desgastado um pouco, continua sendo um momento do ano em que eu paro tudo para maratonar.

É inteligente, fria e muito bem feita.

O que vai ser da próxima temporada, sem protagonista? Sei lá, vamos esperar.

3 – How To Get Away With Murder

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Enquanto tiver Viola Davis eu assisto, por mais que o enredo comece a forçar a barra. Isso era iminente, como sabíamos.

Mas o final de um episódio dessa série nos dá aquela ansiedade que só algo com bom suspense faz.

4 – Mindhunter

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Boa surpresa no final do ano com essa série trazida pela Netflix, inspirada em um livro do mesmo nome. O nome do David Fincher nos créditos (tal qual em House of Cards) já anima bem.

A série fez bonito falando desse tema espinhoso e vai ter nova temporada.

5 – The Good Fight

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É The Good Wife sem a Alicia. Com as qualidades e os defeitos.

Mas o texto e as atuações valem para que eu recorra a qualquer site de torrente para achar os episódios quando saem.

6 – Love

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Essa comédia despretensiosa e com protagonistas tão comuns é uma delícia de assistir.

A próxima temporada vai ser a última, o que é bom para evitar enrolações.

É daquelas comédias que te fazem esquecer o mundo e passar o sábado no Netflix.

7 – Friends From College

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Friends From College não foi tão bem aceita pela crítica, mas o que dizer do povo que considerou o filme Corra! Uma comédia?

Eu achei bem engraçada e escrota, do jeito que tem que ser com algumas séries.

Valeu a risada para quem ainda não esquecer como isso é bom.

8 – Veep

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Julia deu uma decaída nessa temporada, mas ainda assim essa série é muito engraçada.

A próxima temporada também vai ser a última e não sei como vai ser a vida sem
Selina Myer.

9 – This Is Us

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Série triste, ein? Haja!

Todos os personagens são bem pensados e não são puros estereótipos.

As relações familiares são tratadas de um jeito tão diferente que você continua vendo essa série.

Acontece que não sei por quanto tempo ela se segura com a história. Vamos ver.

10 – Broadchurch

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A despedida do ano.

Não posso aceitar que não vou mais ver os detetives!

Acho que ainda tinha história sim, mas vai entender os britânicos?

A temporada final foi muito boa e trouxe uma nova história bem tensa.

Trago três menções honrosas:

Room 104 – 1ª Temporada

2 Broke Girls - 6ª Temporada (despedida totalmente sem sentido!)

13 Reasons Why

Até a próxima!

FDL

Top 10 2017: Livros

Comemorando que agora em 2017 eu consegui completar meu desafio de livros do Goodreads, vamos adicionar livros ao top 10. Foi um ano de boas leituras para mim.

Só decidi não colocar livros de contos na lista, porque alguns não terminei e outros acho que ficam numa competição esquisita. Quem sabe um post no futuro sobre contos?

Bora

1 – Psicose – Robert Bloch

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Um clássico do cinema que virou clássico de livro para mim. Só de ver a capa novamente já dá vontade de ler tudo de novo.

Esse livro conta uma história pavorosa, mas é o jeito de contar que nos faz ler tudo de uma vez.

2 – Manson – Jeff Guinn

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Trata-se de uma biografia honesta, que analisa um ser humano sem juízos de valor, embora seja bem díficil.

Vale também por situar o leitor no período histórico e político para compreender essa pessoa.

3 – Alta Fidelidade – Nick Hornby

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Uma leitura agradável e um protagonista que a gente acaba adorando odiar.

Uma vida de um desajustado, que é assim pelos motivos certos.

Gostei muito dos coadjuvantes também.

4 – O Povo Contra O.J. Simpson – Jeffrey Toobin

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As mesmas palavras ditas sobre o caso do Manson se aplicam aqui.

Esse livro é extremamente completo e é bem descritivo sobre esse caso que tem tantas óticas diferentes a se analisar.

5 – Carrie, A Estrranha – Stephen King

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O mês de suspense nesse ano rendeu!

Que surpresa esse livro ser tão bom. Mais uma vez uma história de desajustado, mas devemos tomar cuidado com quem mexemos.

6 – Meu Amigo Dahmer – Derf Backderf

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2017 foi o ano em que eu comecei a ler HQs de forma definitiva. Tenho certeza disso.

Esse livro foi um dos responsáveis por isso.

Ilustrações bizarras em uma história bizarra. Só podia ter sido um dos melhores do ano.

7 – Matéria Escura – Blake Crouch

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Observo que em 2017 eu me desafiei. E deu certo.

Por algum motivo dei uma chance a um livro que tinha pegada de ficção científica. O suspense e os crimes ajudaram.

Não me arrependi.

Que história e que leitura boa!

8 – Pequenas Grandes Mentiras – Liane Moriarty

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A série que viria em seguida me fez ler esse livro e foi uma ótima escolha.

Leitura com tensão, drama, humor, tudo junto, com aquela mão que desce um tapa e acaba com as hipocrisias.

9 – O Bebê de Rosemary – Ira Levin

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Outra surpresa.

Esse livro é um suspense de primeira qualidade. Segura muito mais que o filme.

Tudo vai se construindo e quando você viu, está lendo e o dia já amanheceu.

10 – Tieta do Agreste – Jorge Amado

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Tinha que ter livro nacional aqui!

A novela reprisou e me encantou com a declaração de amor à cultura brasileira.

O livro, apesar de muito longo, não foi diferente.

Lerei Jorge Amado novamente.

Até me arrisco a fazer três menções honrosas:

S. – Doug Dorst e J.J. Abrams
Black Hole – Charles Burns
O Segredo dos Corpos – Dr. Vincent Di Maio & Ron Franscell

FDL

domingo, 7 de janeiro de 2018

Top 10 2017: Filmes

Acabando o recesso de final de ano e somente agora podendo fazer o balanço de 2017, vamos ao top 10.

2017 não foi um ano dos melhores em filmes, mas consegui ver uma quantidade que desse uma boa lista. Além disso, fica uma boa sensação para 2018, que tem boas opções a sair.

Nenhum filme acabará entrando na lista da minha vida, mas com certeza valeram a pena o tempo investido.

Ocorre quem 2017 eu me desafiei a várias leituras e por isso revi vários filmes. Não colocarei na lista filmes revistos. Mas continuo não me importando com o ano dos lançamentos. São os filmes que conheci nesse ano.

Eis:

1 – Assassinato no Expresso do Oriente

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O filme do ano com certeza. Ainda que eu tenha algumas críticas a ele, foi tudo que eu precisava ver quando estreou. Fico na torcida para que continuem a sair obras nesse estilo. O cinema precisa se diversificar um pouco.

2 – Corra!

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Grata surpresa. Como eu estava com saudades de um bom suspense. Não tinha nada de óbvio e foi violento, cru, inteligente e muito bem feito.

3 – Que Horas ela Volta?

que horas ela volta

O cinema nacional tem que se orgulhar dessa obra de arte. Trata de relações sociais dentro das casas de forma precisa. A interpretação da Regina Casé me emocionou. Esse filme mexeu comigo.

4 – Florence Foster Jenkins

florence foster

Um belo filme artístico, bem no estilo dos premiados, mas com muita emoção e sutileza.

5 – O Último Jantar

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Filme antigo que assisti sem pretensão alguma, mas me trouxe diversas reflexões, sobretudo a respeito dos intelectuais donos da verdade ou daqueles que querem aprisionar os outros com seus conceitos do que é liberdade.

6 – Negação

negação

Parece que foi um ensaio para essa fase em que estou lendo, vendo sobre a Guerra. Esse filme trata juridicamente de um dos acontecimentos mais tristes da história. Há muita sensibilidade e excelentes atuações. Ingleses em tribunais sempre valem a pena.

7 – Cercas

cercas

Um filme que vale pelas atuações e ponto. A história também é muito boa e trata uma face da realidade do negro americano que nem sempre é exibida.

8 – Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos

Blockbusters também podem ser bons. É um filme muito bonito, com bons atores e a perpetuação de um mundo criado que parece já fazer parte da vida de todos.

9 – A Bela e a Fera

a bela e a fera

Uma bela versão live action de um dos maiores clássicos que a Disney já produziu. Não fizeram firula e acertaram no ponto.

10 – A Garota no Trem

the girl on the train

Já não foi dos filmes que adorei, mas esse tipo de suspense precisa continuar sendo feito, porque é o que mais gosto de ver. Essa história é muito inteligente e interessante.

Piores do ano? Claro! O Jantar, TOC, O Julgamento de Casey Anthony e Animais Noturnos são os destaques.

Que venham mais filmes!