sábado, 7 de setembro de 2019

A Caça – M.A. Bennett

A Caça de M. A. Bennett“ – Quando recebi o Convite para vir para cá, fiquei felizx demais. Pensei que isso significava que eu tinha superado as barreiras. Consegui todas as roupas certas, tudo. Treinei como iria falar, estudei bons modos, etiqueta, que tipo de garfo usar... Se eu não me encaixo aqui e não me encaixo lá, qual é o meuy lugar? Será que eles me trouxeram aqui como uma caça? Será que eu sou só isso para eles?”

M.A. Bennett

A sinopse que chamou a minha atenção:

“O ano letivo começou e Greer MacDonald está se esforçando ao máximo para se adaptar ao colégio interno onde ela entrou como bolsista. O problema é que a STAGS, além de ser a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, é repleta de alunos ricos e privilegiados – tudo o que Greer não é. Para sua grande surpresa, um dia Greer recebe um cartão misterioso com apenas três palavras: "caça tiro pesca". Trata-se de um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito e popular do colégio... e líder dos medievais, o grupo de alunos que dita as regras. Greer se junta ao clã de Henry e a outros colegas escolhidos para o evento, mas esse conto de fadas não vai terminar da maneira que ela imagina. À medida que os três esportes se tornam mais sombrios e estranhos, Greer se dá conta de que os predadores estão à espreita... e eles querem sangue. Que a caçada comece! "

Pois bem, esse livro não me serviu nem como guilty pleasure, de tão ruim que é.

A história tem uma protagonista chamada Greer, com quem o leitor não se identifica em momento nenhum. O antagonista é um personagem tão padronizado, que parecemos adivinhar o que vai acontecer.

Os diálogos são ruins, não tem emoção, enfim, é um livro para esquecer. Deixo aqui o registro para quando for fazer uma lista dos piores livros que eu já li. Será candidato.

Não recomendo.

FDL

domingo, 1 de setembro de 2019

Nó do Diabo – Mara Leveritt

nó do diabo -0 livro“Os três prisioneiros no centro da crescente atenção no tiveram permissão para assistir a Paradise Lost. E-mails iam e vinham falando a seu respeito, mas eles não podiam enviá-los nem recebe-los. O caso era discutido nos jornais, mas a grande imprensa do Arkansas e do outro lado do rio, em Memphis, prestava pouca atenção. Para Damien, Jason e Jessie, a prisão ainda consistiria, dia após dia, em comida ruim, barras de ferro e tédio. Mesmo assim, o documentário e o site afetaram suas vidas. Uma das coisas que mudou foi que suas cartas começaram a chegar.”

Mara Leveritt

O mês de setembro com true crime precisava desse livro. Já tinha planejado lê-lo no ano passado, mas acabou não rolando.

Essa história é conhecida pelo documentário Paradise Lost, que conta uma bizarra história da condenação de três adolescentes pelo brutal assassinato de três meninos no interior de Memphis.

É um daqueles casos de perseguição policial com todos os toques das falhas dos sistema americano: preconceitos, fofocas, pressão da mídia, falsas confissões, conservadorismo que chega ao nível medieval, enfim, tudo aquilo que leva inocentes para a cadeia.

Esse livro é muito bem escrito e tem muitos detalhes. Até demais.

Mas de todo modo é importante conhecer essa hi8stópria, que marcou o sistema judiciário americano.

O documentário eu ainda não vi, já ensaiei várias vezes. Quem sabe em breve?

Recomendo.

FDL

domingo, 25 de agosto de 2019

A Testemunha - Scott Turow

testemunha scott turow“Meu reflexo foi dar um gemido. Política e processos judiciais não eram uma boa mistura.

— O TPI — disse Roger — foi estabelecido por um tratado negociado entre a maioria dos países-membros da ONU, incluindo os Estados Unidos. Clinton assinou em 2000, mas o pessoal do Bush odiou a ideia, principalmente Dick Cheney, que parece que tinha medo de ser julgado por ter autorizado o afogamento simulado. Em 2002, Bush anunciou que renunciaria ao tratado do TPI.

— É possível fazer isso? Renunciar?

— Você acha que isso importa? Em vez disso, os republicanos, que controlavam o Congresso, aprovaram uma coisa chamada Lei de Proteção aos Membros do Serviço Militar, que basicamente diz que, se você tentar levar os nossos soldados a julgamento, vamos invadir a merda do seu país e os traremos para casa.

— Literalmente?

— Não acho que eles tenham usado a palavra “merda”. Fora isso, é um resumo legislativo bastante preciso. Na Europa Ocidental, era chamada de “Lei de Invasão de Haia”.

— Você está dizendo que, se o TPI acusar soldados americanos, vamos começar uma guerra contra a Holanda?

— Digamos que correremos o risco de criar sérios conflitos com nossos aliados mais próximos. “

Scott Turow

Depois de ficar alguns anos sem pegar nenhum livro novo do Turow para ler, resolvi dar uma chance para A Testemunha e, por isso, selecionei para o desafio de 12 livros para 2019, em agosto.

Essa história é bem diferente dos outros dois livros dele que eu li. Na verdade, é bem diferente, porque é o primeiro thriller jurídico que eu leio focado no direito internacional.

“O retorno do mestre do thriller jurídico, em uma trama que envolve o Tribunal Penal Internacional. O advogado Bill Ten Boom largou a carreira, a esposa, o condado de Kindle e até mesmo o país. Porém, quando recebe a oportunidade de trabalhar no Tribunal Penal Internacional — uma organização encarregada de lidar com crimes contra a humanidade —, ele se sente atraído pelo que será o caso mais difícil de sua carreira. Para descobrir o que aconteceu com os moradores desaparecidos de um vilarejo cigano após a Guerra da Bósnia, Boom deve investigar uma série de suspeitos, que vão de organizações paramilitares sérvias ao governo dos Estados Unidos, enquanto interroga todos os envolvidos no caso: um ex-general em desgraça; o único sobrevivente do suposto massacre dos ciganos; e sua advogada.”

O problema é que eu achei a história um pouco desinteressante. Tem um lado muito bom que é focado em explicar como funciona o TPI, mencionar as guerras da antiga Iugoslávia, a realidade dos novos países dos bálcãs e, sobretudo, a relação da Europa, sobretudo a oriental, com o povo cigano.

Agora, o livro é excessivamente longo, com diálogos também carregados e isso faz com que a história não flua tão bem.

Além disso, há vários personagens e o enredo acabou ficando um pouco confuso em alguns momentos. Não é o tipo de livro para fazer histórias assim.

De todo modo, continuo gostando do Turow e ainda há outros livros dele que estão na minha prateleira esperando a sua vez.

FDL

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

The O.C.

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Que comece a sessão nostalgia desse ano.

Deu vontade de rever essa série, que começou em 2003. Olhando os números parece que faz tempo, mas a sensação é de que foi outro dia.

Lembro que na época era uma das minhas séries preferidas e os finais com ganchos me deixavam com grande expectativa.

Revendo o primeiro episódio pude notar muito menos futilidade do que havia na minha memória. Vi uma série sobre mundos diferentes e a sensação de não pertencer. Ao mesmo tempo há o medo do desconhecido e também a vontade de ser diferente.

Acabei vendo a primeira temporada inteira em poucos dias e alguns da segunda. Só de pois que já deu.

O personagem Sandy é o melhor. É um cara casado com uma milionária, cheio de princípios e trabalha como defensor público, embora possa advogar onde quiser. Ali ele conhece Ryan, um adolescente que foi preso por um furto e com uma família muito desestruturada. Na vontade de ajudar e sentindo culpa em apenas liberar o jovem, Sandy o deixa alguns dias em sua mansão.

Rapidamente Ryan faz uma grande amizade com o introvertido e excluído filho de Sandy, Seth. Também aos poucos acaba conquistando sua esposa, Kirsten, uma mulher de negócios que sofre para se libertar da relação de domínio que tem com o pai, Caleb.

Obvio que Ryan acaba vivendo um romance com a vizinha problemática, Marisa, que é linda, rica, popular, mas totalmente infeliz e autodestrutiva.

A série ainda apresenta personagens coadjuvantes que fazem a história andar e foi agradável rever essa série e, ao mesmo tempo, me conectar novamente com uma fase interessante das séries. A gente sentia uma empolgação muito maior em ver.

Sabemos que o final da série foi amargo, por conta dos grandes problemas que o elenco teve, mas enquanto no seu auge, The O.C. foi um excelente drama teen.

Destaco ainda a excelente trilha sonora. Era uma fase em que nascia um bom rock’n’roll americano e também souberam utilizar boas músicas conhecidas ou não para embalar a série.

Quem não se lembra de Maybe I’m Amazed no final da temporada ou Fix You na cena de uma importante morte? Nem preciso falar do Califórnia berrado na abertura.

Fica um saborzinho doce da memória.

FDL

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

The Good Fight: 3ª Temporada

the good fight s3

Com um bom atraso terminei de ver a temporada de The Good Fight esses dias. Começo bem contente porque a Amazon Prime colocou os episódios no ar sem muita demora, o que já é uma vitória para nós brasileiros, abandonados pelos serviços de streaming.

A série voltou implacável. Não tem outra palavra. Começo destacando as situações anti-Trump de Diane, que estava excelente novamente. Todo o arco de episódios mostrando o grupo que ela integrou foi sensacional e parece não ter acabado por aí.

Gostei muito agora dos curtas animados que eles colocam nos episódios. Aliás, para entender essa série é necessário estar bem atento às notícias e não piscar também, porque chovem informações, críticas e ironias a todo momento.

A série em poucos episódios ainda conseguiu falar da segregação entre as pessoas que o clima de problematização nas redes sociais traz, de como é fácil e rápido virarmos um meme (para o bem e para o mal), de como as pessoas poderosas também são humanas, por mais que esqueçamos e, por isso, também são sujeitas a qualquer tipo de problemas que os pobres podem enfrentar.

Quando comparamos com a série original lá atrás, muito pouco temos dela em termos da história. Mas a forma debochada de criticar e a comédia inteligente não perdem o fio até hoje.

continua sendo uma das minhas séries preferidas da vida.

Recomendo muito!

FDL

domingo, 18 de agosto de 2019

O Rei Leão

o rei leão 2019Filme: O Rei Leão (The Lion King)
Nota: 9
Elenco: vozes de vários famosos
Ano: 2019
Direção: Jon Favreau

Quando a Disney anunciou que faria uma versão live action de O Rei Leão eu fiquei confuso. Tivemos vários casos de sucesso recente (outros nem tanto), mas como seria feito no caso de leões?

A produção tem personagens realistas, mas obviamente feitos por computação gráfica, o que me deixa confuso sobre o termo live action, mas tudo bem.

É praticamente uma cópia do desenho original dos anos 90. Há poucas mudanças, o que considerei muito bom, porque a experiência no cinema foi de nostalgia.

Fora isso, não tem nem o que dizer, já que é uma versão atualizada de um grande sucesso do cinema, favorito de muita gente.

Há algumas cenas a mais e músicas novas também.

De forma geral, considero um acerto da Disney, porque a experiência foi muito positiva.

FDL

domingo, 11 de agosto de 2019

Obsessão Secreta

obsessão secretaFilme: Obsessão Secreta (Secret Obsession)
Nota: 6
Elenco: Brenda Song e Mike Vogel
Ano: 2019
Direção: Peter Sullivan

A Netflix anda com problemas quando o assunto é filme de suspense.

Trata-se de uma produção original, que mostra acontecimentos com Jennifer, que sofre um acidente e fica sem memória, mas tem seu dedicado marido, Russell cuidando dela até sua recuperação.

Ocorre que os cuidados começam a beirar ao domínio e incomoda muito o fato de estarem isolados e sem contado com ninguém.

Por fim, as desconfianças surgem, as memórias começam a surgir e Russell demonstra não ser nada daquilo que falou para a suposta esposa.

Pois bem, é um filme cheio de chavões e com um final óbvio. Completamente fraco e esquecível.

Há aquelas tradicionais cenas de violência gratuita e de atuação exagerada.

Se você não for muito exigente, até dá para considerar entretenimento, mas sem esperar muita coisa.

FDL

sábado, 10 de agosto de 2019

A Pequena Caixa de Gwendy – Stephen King e Richard Chizmar

a pequena caixa de gwendy

“Ela se senta. O suor cobrindo seu corpo ficou frio. Ela tem certeza de que, apesar da fala mansa, ele vai tentar beijá-la, sem se importar com as crianças no parquinho ou os adolescentes tomando conta delas. Mas ele não faz isso. Só enfia a mão embaixo do banco e pega uma sacola de lona fechada por um cordão. Ele abre a bolsa e tira uma linda caixa de mogno, a madeira reluzindo em um marrom tão intenso que ela consegue ver pontinhos vermelhos no acabamento. Tem uns quarenta centímetros de comprimento, talvez uns trinta de largura, e metade disso de profundidade. Ela a quer na mesma hora, e não só porque é linda. Ela a quer porque é dela. Como se fosse algo valioso, muito amado, que se perdeu tanto tempo antes que quase foi esquecido, mas agora tinha sido encontrado de novo. Como se ela fosse dona da caixa em outra vida, em que era uma princesa ou algo assim.

— O que é? — pergunta Gwendy em voz baixa.

— Uma caixa de botões — diz ele. — A sua caixa de botões. Olha.

Ele a inclina, e ela vê os botõezinhos no alto, seis em fileiras de dois, e um botão solitário em cada ponta. Oito no total. Os pares são verde-claro e verde-escuro, amarelo e laranja, azul e violeta. Um dos botões das pontas é vermelho. O outro é preto. Há também uma pequena alavanca nas laterais da caixa, e o que parece um buraco no meio.

— Os botões são muito difíceis de apertar — diz Farris. — Você tem que usar o polegar e apertar com força. E isso é uma coisa boa. Acredite em mim: você não vai querer apertar nenhum por engano, não mesmo. Principalmente o preto.

Gwendy se esqueceu de sentir medo. Está fascinada pela caixa, e quando o homem de paletó a entrega, ela aceita. Estava esperando que fosse pesada, porque mogno é uma madeira pesada, afinal de contas, e nem dava para saber o que havia dentro, mas não é. É leve a ponto de Gwendy conseguir balançar nos dedos. Ela passa o dedo pela superfície reluzente e meio convexa dos botões e quase sente as cores iluminando sua pele.’

Stephen King e Richard Chizmar

Esse livrinho saiu faz pouco tempo e fiquei interessado nessa pegada infanto-juvenil com o lado sombrio do Stephen King.

Acabei lendo inteiro de uma vez e foi uma ótima experiência.

“Em todos os dias do verão de 1974, Gwendy Peterson, de doze anos, vai pela escada, que fica presa por parafusos de ferro fortes (ainda que enferrujados pelo tempo) e sobe em ziguezague pela encosta do penhasco.

Certo dia, um estranho a chama do alto: “Ei, garota. Vem aqui um pouco. A gente precisa conversar, você e eu”. Em um banco na sombra, perto do caminho de cascalho que leva da escada até o Parque Recreativo de Castle View, há um homem de calça jeans preta, casaco preto e uma camisa branca desabotoada no alto. Na cabeça tem um chapeuzinho preto arrumado.

Vai chegar um dia em que Gwendy terá pesadelos com isso.”

Parece um conto, até pela forma que a história foi construída, mas é muito agradável de ler. A forma de King escrever é bem tranquila e fluida, então a gente entra no livro de cabeça.

Gostei também da ideia do peso que a onipotência tem, com responsabilidades e consequências. Sobretudo porque não planejamos todas as nossas ações. Às vezes agimos por impulsos.

Recomendo essa leitura bem agradável.

FDL

domingo, 4 de agosto de 2019

Cabo do Medo – John D. MacDonald

CABO-DO-MEDO-

“Ele sentiu o rosto suar, rubro. Ela abrira novamente o livro. Seu embaraço se transformou lentamente em raiva. ‘Tudo bem. Então eu puxei conversa. Se você não quer papo é só dizer. O fato de ser bonita não lhe dá nenhum direito especial de ser rude. Não fui eu quem inventou essas regras não escritas. Não saio com as alunas aqui porque acontece de eu estar comprometido com uma garota lá em Nova York’.

Não houve qualquer sinal de que ela o estivesse ouvindo.“

John D. MacDonald

Retirado do site da editora:

“Por catorze anos, o condenado Max Cady nutriu um ódio por Sam Bowden, um advogado de sucesso que ostenta uma família margarina e que, ao atuar como seu defensor público, pouco fez para evitar que ele fosse parar atrás das grades.

Agora um homem livre, Max retorna à sociedade com sangue nos olhos e enlouquecido por uma sede de vingança pelo tempo e família que perdeu. E decide fazer com que toda a família de Sam pague por seu erro.”

Confesso que esperava um pouco mais desse livro.

Eu sempre soube que é um filme muito respeitado e favorito de muita gente. Por isso, quando a Darkside começou a lançar esses livros que inspiraram clássicos do cinema, eu comprei e já resolvi ler.

A verdade é que a história é comum, então eu esperava que a escrita fosse me chamar a atenção. Isso não ocorreu.

Em alguns momentos a forma de escrever não nos prende e para um livro curto há muitas passagens com enrolação.

Ainda assim eu quero ver o filme no futuro. Agora não deu tempo. Quem sabe na próxima temporada de filmes mais clássicos eu acabe assistindo. Talvez atuações e direção deixem uma impressão melhor.

FDL

domingo, 28 de julho de 2019

As Ondas – Virginia Woolf

as ondas virginia woolf

“— É o primeiro dia das férias de verão — disse Susan. — Mas o dia ainda se mostra embrulhado como num pacote.Não o examinarei antes de descer do trem à noite. Não me permitirei cheirá-la antes de respirar o frio ar verde dos campos. Esses, porém, já não são os campos do colégio; não são as sebes do colégio; os homens nesses campos fazem coisas reais; enchem carroças com feno de verdade; essas são vacas de verdade, não as vacas do colégio. Mas o cheiro de desinfetante dos corredores e o cheiro de giz das salas de aula ainda se entranha em minhas narinas. A aparência vítrea, lustrosa dos assoalhos ainda se imprime em meus olhos. Preciso aguardar campos e sebes, bosques e campos e encostas em declive na via férrea, salpicadas de arbustos de tojo, e caminhões e estradas e túneis e jardins de subúrbio com mulheres estendendo roupa lavada, e depois novamente campos e crianças balançando-se nos portões, a fim de recobrir e enterrar profundamente o colégio que odiei.”

Virginia Woolf

Esse foi o livro que eu selecionei par o mês de julho no desafio de 12 livros para 2019. E ele fez definitivamente com que eu repensasse esse desafio. Eu escolhi os livros no final do ano passado tendo em consideração as obras que eu já tinha na prateleira e também autores que eu precisava de um estímulo diferente, do contrário acabaria não lendo.

O problema é que eu não pesquisei direito e acabei selecionando um livro muito difícil para começar com Virginia Woolf. De todo modo, vamos lá.

As ondas é um livro escrito em fluxo de consciência, com monólogos sobrepostos de diversos personagens, que têm personalidades diferentes.

Não há enredo, conforme eles vão falando, observamos que eles narram as próprias vidas, desde o nascimento até a morte. Esse vai e vem do enredo lembra o tempo inteiro as ondas do mar.

Claro que esses monólogos são extremamente complexos e muitas vezes confusos para mim. Eles falam de suas perturbações, anseios e descrevem muito a natureza.

Acho que eu precisava de outro tipo de leitura nesse momento e senti que acabei não aproveitando tudo que esse livro teria a me oferecer. Um dia, com outro tipo de bagagem e talvez em outra conjuntura da vida eu relerei esse livro e aposto que terei uma experiência melhor.

FDL

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Chernobyl

chernobyl

Não é o tipo de série que eu costumo ver, mas acabei ficando curioso depois de toda a polêmica que começou a cercar essa produção.

São cinco episódios lançados pela Netflix, muito bem produzidos e com interpretação perfeita.

Essa história apesar de ser muito famosa, um dos maiores desastres ambientais da história, carece de detalhes, diante do regime fechado que vigorava na União Soviética.

A série Chernobyl veio para preencher lacunas. Claro que não temos garantias de que a série retrata os fatos fielmente, afinal, é uma obra de ficção. Mas em tempos de destruição ambiental crescente, sabermos o que somos capazes de fazer com o planeta é o tema do dia.

Além disso, fica claro, mais uma vez, como é fácil destruirmos tudo que foi construído ao longo da história. É a fragilidade da nossa vida aparecendo novamente para mostrar que não mudou nada.

Essa série é imperdível e muito forte. Não me arrependi em nada de ter dado uma chance.

FDL

quinta-feira, 18 de julho de 2019

No Coração do Ouro

no coração do ouro

“Uma profunda investigação sobre o escândalo que abalou os Estados Unidos e o mundo do esporte em 2017: nesse ano, uma série de abusos sexuais envolvendo Larry Nassar, o médico osteopata da equipe de ginástica olímpica feminina americana, veio à tona. Enquanto as vítimas dão detalhes sobre o que aconteceu a elas, detalhes dos crimes são revelados, assim como o encobrimento de todos eles.”

É um documentário muito bem produzido que a HBO trouxe recentemente.

Esse é um esporte que eu acompanho muito e acredito que o mundo inteiro ficou perplexo quando esse escândalo apareceu, porque o suposto método americano de treino de atletas era visto como referência.

Os relatos são dramáticos feitos por diversas atletas que sofreram a violência sexual. Além disso, causa muita surpresa verificar como essa situação durou anos sem que ninguém fizesse nada, além de não levarem a sério algumas denúncias ocorridas por algumas meninas.

De todas as tragédias devemos tirar lições. Aqui é a de que devemos ouvir mais os jovens e que os adultos podem até possuir autoridade em diversos momentos, mas devem ser acompanhados, porque os desvios sempre ocorrem por parte deles.

Recomendo muito esse documentário.

FDL

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Dentro da mente do criminoso

dentro-da-mente-do-criminoso_80185065A Netflix trouxe também esses dias essa série em quatro episódios que investiga as causas de crimes violentos, que se tornam notórios no mundo todo.

Há uma divisão por episódio, em assassinos em série, sequestros, líderes de seitas e senhores do crime.

Sinceramente não achei dos melhores. Há uma discussão bem rasa sobre casos famosos com alguns depoimentos de especialistas.

Tudo tem bastante cara de oportunismo e não traz nada de novo ao que já se sabe.

De todo modo, serve de lição para aprendermos a filtrar o massivo conteúdo em documentário sobre crimes reais que apareceram nos últimos anos.

FDL

domingo, 14 de julho de 2019

Olhos Que Condenam

olhos que condenam

Dificilmente esse ano alguma série vai superar essa no quesito tristeza. Revolta também.

O tema erro judiciário está na moda e agora começamos a ter mais séries dramatizadas inspiradas nesses acontecimentos.

Sinopse que cacei no Google:

“Na noite de 19 de abril de 1989, um grupo de jovens negros foi ao Central Park, em Nova York. Enquanto alguns corriam e gritavam com pessoas que estavam pela região, outros só queriam se reunir com amigos. Policiais foram chamados e a maioria ficou retida. Em outra parte do parque, uma mulher, Patricia Meili, foi agredida e estuprada. Ela foi encontrada horas depois gravemente ferida. Quando os policiais se deram conta dos dois acontecimentos criaram uma narrativa que faria dessas duas histórias uma só.

Cerca de 30 jovens foram levados à delegacia e, entre eles, alguns passaram por interrogatórios: Kevin Richardson, Raymond Santana, Antron McCray e Yusef Salaam. A ideia era culpá-los pelo estupro. Foram mais de 40 horas de questionamentos, insinuações, acusações e agressões. Os quatro, três negros e um latino, não tiveram pausas para comer, irem ao banheiro ou contatarem alguém. Tudo foi realizado sem a presença de um responsável, apesar de se tratar de menores de idade. Eles não se conheciam, mas os investigadores os pressionaram e jogaram uns contra os outros de forma que eles começaram se acusar. Na cabeça deles, naquele momento, a única maneira de voltarem para casa era apontar um culpado e mentir sobre o que teria acontecido naquela noite.”

São apenas quatro episódios, mas assim que vi o primeiro, recheado de cenas de tortura física e psicológica, de técnicas de interrogatório ultrapassadas, de preconceitos e visões elitistas sobre crime, fiquei um pouco mal e não estava no clima para ver o resto, porque sabia que viria chumbo grosso.

E veio. Depois de alguns dias assisti aos episódios restantes e não tem romantização, tampouco lição de moral. Apenas vemos um triste retrato de como o judiciário americano acabou com a vida de cinco adolescentes (e suas famílias) por puro preconceito.

Os atores estavam todos excelentes e não há o que dizer sobre essa série.

Vale também um especial que a própria Netflix tem com entrevistas do elenco e dos verdadeiros protagonistas da história realizadas pela Oprah. É de arrepiar ouvir os relatos.

Recomendo muito.

FDL

sábado, 13 de julho de 2019

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

fahrenheit 451

“- Para mim, ela não é nada; ela não deveria ter livros. A responsabilidade era dela, ela deveria ter pensado nisso. Eu a odeio. Ela o deixou perturbado, e se você continuar assim, vamos acabar na rua da amargura, sem casa, sem trabalho, sem nada.

- Você não estava lá, você não viu – disse ele. Deve haver alguma coisa nos livros, coisas que não podemos imaginar, para levar uma mulher a ficar numa casa em chamas; tem de haver alguma coisa. Ninguém se mata assim a troco de nada.

- Ela era fraca da ideia.”

Ray Bradbury

Escolhi esse livro para o mês de junho no desafio de 12 livros para 2019. Não poderia ter selecionado obra melhor.

Trata-se de mais uma distopia, na qual o governo proíbe os livros e a função dos bombeiros agora é a de destruir qualquer livro mocozado por alguma resistência.

Essa é justamente a profissão do personagem principal, Montag. Sua paz ignorante é perturbada após encontrar na rua algumas vezes com uma menina que lhe faz perguntas inconvenientes, que o tiram do sossego.

Após o desaparecimento da menina e de uma situação em que uma mulher prefere morrer queimada junto a seus livros após ser encontrada, Montag cria uma curiosidade pelo conteúdo dos livros e do porquê deles incomodarem tanto.

Com isso, um movimento de resistência é por ele descoberto.

Esse livro caiu como uma luva para o momento político em que vivemos, já que se tentam suprimir das escolas disciplinas de senso crítico e busca-se cada vez mais um discurso massificado por uso das fake news.

Já me senti incomodado com a proximidade do Conto da Aia com a nossa realidade. Nesse caso então, é evidente que esse tipo de estratégia é muito bem pensado.

Gostei muito também do seguinte trecho:

“- Por sorte, esquisitos como ela são raros. Sabemos como podar a maioria deles quando ainda são brotos, no começo. Não se pode construir uma casa sem pregos e madeira. Se você não quiser que se construa uma casa, esconda os pregos e a madeira. Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe de os dois lados de uma questão para resolver; dê-lhe apenas um. Melhor ainda, não lhe dê nenhum. Deixe que ele se esqueça de que há uma coisa como a guerra. Se o governo é ineficiente, despótico e ávido por impostos, melhor que ele seja tudo isso do que as pessoas se preocuparem com isso. Paz, Montag.”

Parece que estamos vendo isso em algum lugar:

“Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com “fatos” que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente “brilhantes” quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento, sem sair do lugar”.

Há também dois filmes, que no futuro ainda vou ver.

FDL

domingo, 7 de julho de 2019

How To Get Away With Murder: 5ª Temporada

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Ano passado mencionei o sentimento de que a série deveria terminar logo. Acertei. Com o fim dessa temporada, a próxima será a derradeira.

A temporada começa com um flashback da cena do casamento de Connor e Oliver em que há um assassinato na frente do bebê de Laurel.

Isso tudo dá a indicar que um personagem importante iria morrer, mas a série caiu na armadilha novamente de trazer personagens novos e mata-los, com o intuito de encher linguiça, criar suspense e andar.

Não foi uma temporada ruim, mas a série andou se arrastando. O personagem Gabriel é muito chato e fui uma infeliz opção traze-lo, porque, ao que parece, deve ser importante no futuro.

De todo modo, com certeza a temporada final trará histórias mais interessantes, porque são definitivas.

Vejamos como essa série, que foi muito importante por todos esses anos, terminará sua já complicada e fantasiosa história.

FDL

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Shippados

shippados

Uma das coisas boas da era do streaming é a possibilidade de séries como essa. Se nos últimos anos Alexandre Machado e Fernanda Young amargaram seus trabalhos com baixas audiências, no Globo Play eles enfrentam terreno fértil com o seu público fiel e menos pasteurizado.

Shippados traz a história de Enzo e Rita, que se conhecem por acidente em um dia de encontros desastrosos. Acontece que os dois são problemáticos e cheios de traumas, um dos motivos de, apesar de tentarem tanto, não conseguem dar certo no amor.

Tatá Werneck e Eduardo Sterblicth fizeram muito bem os papeis que foram dados a eles. São engraçados de verdade, além de terem um talento único, não imitam ninguém.

O elenco de coadjuvantes também foi sensacional. São nomes do humor que eu gosto muito: Luis Lobianco, Clarice Falcão, Júlia Rabello e Rafael Queiroga.

O texto dos autores continua debochado, despretensioso e muito ligado às questões do dia-dia, de “gente como a gente”. Isso que dá a graça.

São poucos episódios e eu destaco aquele em que todos estão viajando o carro quebra.

Vale mencionar também a trilha sonora, com muitas músicas da banda Vanguart e outras no mesmo estilo. A que toca na abertura fica na cabeça e tem o mesmo clima leve da série.

Espero que a série volte, porque foi uma excelente surpresa da temporada.

FDL

domingo, 30 de junho de 2019

Black Mirror: 5ª Temporada

black mirror s5

A série que tem sido a favorita de muita gente nos últimos anos voltou apenas com 03 novos episódios. Teve um filme interativo recentemente, mas ainda não vi esse.

O primeiro episódio é Striking Vipers, no qual um homem fica viciado em um jogo de luta em realidade virtual. Só que nesse game é possível fazer web-sexo e o cara acaba desenvolvendo uma relação confusa de tensão sexual e culpa com o melhor amigo.

O segundo é Smithereens, no qual um homem sequestra um funcionário da empresa de mesmo nome para conseguir ter acesso ao presidente. Sua intenção tem a ver com uma tragédia ocorrida na sua vida, que culminou com a morte de sua noiva.

O último é Rachel, Jack and Ashley Too, que teve participação da cantora Miley Cyrus. Ela interpreta uma sensação mundial da música, que criou uma boneca de inteligência artificial que emula sua personalidade. Uma menina fã da cantora acaba ficando obcecada pela boneca e, com isso, acaba salvando a vida de seu ídolo em uma história de traição e ambição.

Não senti nessa temporada aquela discussão mais incisiva sobre os efeitos da tecnologia da informação na vida das pessoas. Principalmente no último episódio eu notei uma ideia de satisfazer um público abrangente e, por certo, menos exigente e propenso a reflexões mais densas.

De todo modo eu não fui daqueles que odiou a temporada não. É aceitável.

Não tenho informações ainda se a série volta. Só sei que, se retornar, deve demorar bastante. Esperarei e verei.

FDL

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Oito Mulheres e um Segredo

8 mulheres e um segredoFilme: Oito Mulheres e um Segredo (Ocean’s 8)
Ano: 2018
Elenco: Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Mindy Kaling, Rihanna, Dakota Fanning, Sarah Paulson
Nota: 7,5
Direção: Gary Ross

Para continuar o legado de sucesso de 11 Homens e um Segredo foi lançada essa versão só com mulheres, como tem acontecido com diversos filmes atualmente.

Foi um bom filme. A escolha da Sandra Bullock para protagonista eu achei acertada, porque ela tem esse estilo.

O resto do elenco foi muito bem e a história apesar de ser um pouco pueril, não compromete.

Destaco a personagem da Helena Bonham Carter, acostumada a fazer mulheres poderosas, agressivas e até meio malucas. Dessa vez ela fez uma estilista insegura e falida muito bem.

Recomendo.

FDL

terça-feira, 25 de junho de 2019

Ela é o Diabo

ela é o diaboFilme: Ela é o Diabo (She-Devil)
Nota: 9
Elenco: Meryl Streep, Roseanne Barr, Ed Begley Jr.
Ano: 1989
Direção: Susan Seidelman

Nesses dias me deu vontade de relembrar esse filme, que é um clássico da sessão da tarde.

É a história de Ruth, uma devota mulher casada, que vive em função do marido e dos filhos. O problema é que ela é atrapalhada, desastrada, está acima do peso e acaba sendo um fardo para o cara, que está no auge da profissão, crescendo na carreira.

Claro que ele conhece a escritora Mary Fisher (Streep), linda, loira, magra, independente, sexual e os dois acabam de apaixonando.

Ele larga a mulher de forma humilhante, a deixando sem chão, mas, por outro lado, dando um clique para que ela acordasse: não adiantava ser tão boa para os outros e esquecer de si mesma.

Com isso ela arma um belo plano de vingança, destruindo a vida dos dois.

A parte da vingança dela dando certo é bem engraçada. Ambas as atrizes são muito talentosas (embora saibamos que a Roseanne Barr é racista).

De todo modo, recomendo essa obra de arte da comédia pastelão dos anos 80, porque diverte muito.

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